Quando era menos jovem do que sou agora, a vida parecia mais fácil de ser vivida.
O certo e o errado eram bem descritos para mim.
Tinha hora certa para estar em casa, mesmo estando na casa ao lado da minha com as amigas que são como irmãs para mim até hoje.
Não podia andar de carro com um rapaz, isso era muito perigoso.
Brigar só por coisas muito importantes.
Viver em paz com todos era o grande objetivo.
Hoje, a vida está muitíssimo mais complexa.
Vivo num mundo onde a paz e a guerra acontecem simultaneamente.
Estive em um evento, sábado passado, na Vinícola Guahyba.
Lugar lindo. Um oásis de paz e beleza embalado por boa música e iluminado pelo sol poente refletido em taças de vinho e espumante espalhadas pelas mesas.
Havia jovens casais, famílias com seus filhos que aproveitavam o gramado para correr e fazer estrelinha sob os olhos encantados dos pais e de todos que observavam.
As pessoas degustavam sua bebida preferida, comiam petiscos saborosos, ouviam música da melhor qualidade tudo em harmonização com o vinho e o espumante servidos em taças transparentes que capturavam os raios do sol e acendiam luzes no líquido, nos olhos e nos corações de todos que lá encontravam.
Fiquei conhecendo a história do lugar, o sonho de seus fundadores, a alegria dos prêmios conquistados, o trabalho e o esforço para que tudo continue dando certo.
Momento de absoluta paz e harmonia com a natureza, com as amigas e comigo mesma.
Olhando para frente, vendo e sentindo a luz do sol em mim, degustando um espumante de ótima qualidade, pensei:
Como é possível estar vivendo este instante tão perfeito e pleno e do outro lado do mundo as pessoas estarem vivendo uma guerra tão insana e cruel?
Parem o mundo que eu quero descer... Ou seria subir?