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Sabado, 25 de Abril de 2026

Mural Cultural

São Jorge e Ogum

Fenômenos históricos do sincretismo colonial brasileiro.

Eduardo Fraga
Por Eduardo Fraga
São Jorge e Ogum
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Dia 23 de abril é dia de São Jorge, santo da Igreja Católica e também de Ogum, orixá de algumas religiões de matriz africana, como o Candomblé (tradição Iorubá) e a afro-brasileira Umbanda.

Durante o período colonial brasileiro os senhores das fazendas e os padres católicos, obrigavam os escravizados africanos a cultuar a imagem de São Jorge nas senzalas, assim como outros santos, mas para manter a sua cultura originária os povos escravizados, em forma de resistência, realizavam o louvor em Iorubá, uma forma encontrada para enganar os seus senhores e os religiosos católicos. Como eles não entendiam o idioma, pensavam que os africanos estavam cultuando São Jorge, mas na verdade cultuavam o orixá Ogum, senhor do ferro e da guerra.

Orixás são elementos da natureza. Cada orixá representa uma força ou energia presente no ambiente. Acredita-se que são entidades espirituais místicas que atuam como guardiões e protetores dos seres humanos, de acordo com a personalidade de cada um.

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A origem histórica de Ogum guerreiro remete, possivelmente, à região que hoje é a Nigéria e Benin, na África. Quando jovem, governou por certo período o reino de Ifé, enquanto seu pai, o rei Odùduà, estava com problemas de saúde.

Um dia, o príncipe guerreiro Iorubá partiu para a guerra, conquistou a cidade-estado de Irê e tornou-se rei. Conhecia e dominava a metalurgia e a agricultura, ensinava as técnicas aos seus, sendo venerado como rei do ferro.

Essa história e características do personagem criou e estimulou a mitologia ao seu redor, mais ou menos assim desenvolveu-se o mito do orixá Ogum.

São Jorge é padroeiro da Inglaterra, Portugal, Lituânia, Geórgia, entre tantos outros lugares espalhados pelo mundo. Aqui no Brasil é padroeiro do estado do Rio de Janeiro, dos escoteiros e da Cavalaria do Exército Brasileiro, além de várias outras instituições e cidades.

Nascido de família nobre, na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte do seu pai em uma batalha. Entrou para o exército romano como soldado e posteriormente foi promovido a capitão, devido à sua dedicação e habilidade militar.

Essas qualidades levaram o Imperador a lhe conferir o título de nobreza de "Conde". Com vinte e três anos de idade passou a residir na Corte Imperial em Roma, exercendo altos postos do governo.

Em certo momento da história, o Imperador Romano Diocleciano tinha planos de ordenar a morte de todos os cristãos do império, mas em uma reunião o capitão do exército Romano e Conde, Jorge da Capadócia, que havia se convertido ao cristianismo, surge em defesa dos fiéis e isso foi visto como traição. Essa intervenção, partindo de um membro da corte romana, não podia ser tolerada.

Jorge foi preso e torturado, por diversas vezes foi levado à presença do Imperador, que perguntava se ele negava a sua fé em Jesus Cristo. Ele sempre respondia que não. Sem sucesso, o Imperador Diocleciano ordenou a execução do soldado, no dia 23 de abril do ano cristão de 303.

A morte de "Jorge  da Capadócia" transformou-se em mártir e sua história correu o imenso império romano, consequentemente a Igreja Católica o canonizou, elevando-o à condição de santo.

São Jorge e Ogum são fenômenos históricos do sincretismo religioso colonial brasileiro. Assim como venerados pela fé, também devem ser estudados pela história (sincretismo religioso é uma expressão de fé oriundo da fusão de diferentes tradições religiosas).

Jorge da Capadócia pereceu por não ter negado a sua fé em Cristo, e eu me sinto abençoado por ter nascido no dia 23 de abril. Assim como ele, sigo firme na minha fé em São Jorge, Ogum e Jesus Cristo.

A vida é uma dádiva! Ter nascido no dia de São Jorge e Ogum é um privilégio!

Salve São Jorge! Saravá Ogum!

Eduardo Fraga

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