Dia 14 de julho comemora-se a Revolução Francesa, evento que mudou o modelo político europeu e, consequentemente, parte do mundo, inclusive o Brasil.
A França no século XVII era governada por um regime de monarquia absolutista, em que o rei era o líder político e administrava o Estado com poder absoluto, ou seja, ele fazia as leis, aplicava as leis e punia conforme as leis, obviamente apoiado por algumas classes sociais, como o clero (Igreja Católica) e a nobreza.
A Igreja pregava ao povo que o poder absoluto do rei provinha de Deus e somente ao Criador ele devia satisfações; por tanto, restava ao povo apenas obedecer ao rei e temer a Deus. É claro que a falta de escolaridade colaborava para que o povo não questionasse as regras vigentes. Que bom que hoje não é mais assim, não é mesmo, caro leitor?
Fica a reflexão!
A alternância de poder na Monarquia se dava de forma hereditária, ou seja, de pai para filho. Sendo assim, a mesma família se perpetuava no poder, de geração em geração.
Cabia ao terceiro estado (o povo) sustentar, com seu trabalho, suas produções e seus impostos, o primeiro (clero) e o segundo estado (nobreza).
Em certo momento do século XVIII, surgiram pessoas com ideias contrárias à Monarquia e às estruturas políticas, sociais e econômicas da época, chamadas de iluministas, propondo um modelo político e social diferente, sob o lema "Liberté, Égalité, Fraternité" (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). Obviamente, muitos deles foram perseguidos, presos e condenados.
Entre esses iluministas surgiram filósofos e pensadores que mudaram o mundo, tais como: -John Locke: criticava fortemente os governos absolutos e, por consequência, a Igreja, que dava apoio aos reis.
-Montesquieu: propôs o modelo político da República, dividindo em três esferas de poder: Executivo, Legislativo e Judiciário.
-Jean-Jacques Rousseau: sua filosofia focava na liberdade natural, na crítica à propriedade privada e na soberania popular.
Aos poucos, essas novas ideias foram ganhando mais adeptos, até que, em 14 de julho 1789, o povo francês, em revolta, pariu para a Bastilha, a prisão onde eram colocados os que discordavam do rei. Atacaram e derrubaram as grades da fortaleza, libertando quem lá estava. O rei foi avisado e perguntou: "Isso é um protesto?". O mensageiro respondeu: "Não, Majestade, é uma revolução".
Posteriormente, em 1793, condenaram o rei Luís XVI à morte na guilhotina. Com esse ato, estava consolidada a Revolução Francesa, que, mesmo com algumas idas e vindas, marcou o fim do Antigo Regime.
As ideias iluministas e o novo modelo político instituído na França correram o mundo e também chegaram ao Brasil. Em 15 de novembro de 1889, militares e burgueses, por meio de um golpe, derrubaram a Monarquia de D. Pedro II e da Princesa Isabel, expulsaram a família real do país e, na sequência, proclamaram a República e instituíram os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), idealizados pelo iluminista francês Montesquieu.
Atualmente, esse modelo político, a República democrática e constitucional, permite que as lideranças sejam eleitas pelo povo e que, a cada período determinado, no caso do Brasil, de quatro anos, sejam realizadas novas eleições, possibilitando, assim, a alternância de poder e o exercício da democracia.
Na República e na Democracia, o poder emana o povo, por meio do sagrado direito do voto, conforme podemos ver nas contribuições teóricas dos pensadores iluministas John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau.
A jovem República democrática brasileira, aos 137 anos, ainda está em construção e precisa ser lapidada todos os dias.
Fica a reflexão!