Quando chego no trabalho, observo qual é o melhor trajeto a seguir para alcançar a porta de entrada.
Escolho sempre caminhar na depressão. É mais uniforme e mais fácil para a mochila onde carrego os materiais para realizar minhas atividades.
Tenho quase certeza que o leitor ao ler o início do texto pensou: Como é que ela escolhe caminhar na depressão? Acho que ela está fora da casinha.
A palavra depressão tem muitos significados.
Minha escolha tem a ver com o significado geográfico da palavra, isto é, abaixamento do relevo ou desnível do solo.
No geral, ao lermos a palavra depressão a primeira coisa que nos vem à mente é a doença caracterizada por tristeza profunda, perda de interesse, desesperança, culpa e alterações de humor que, segundo a Organização Mundial de Saúde, atinge aproximadamente quinze por cento dos brasileiros em alguma época da vida.
O uso da palavra foi proposital, justamente para colocar a palavra depressão no centro do assunto.
Esta palavra é usada muitas vezes de forma inadequada.
Com ela podemos nos referir a um estado de tristeza ou desânimo, como também podemos descrever a doença psiquiátrica que se abate sobre muitas pessoas.
Cada vez mais estamos esquecendo a força e o poder da palavra falada, pensada e sentida.
O cérebro não julga se é verdade ou fantasia, ele aceita a palavra de acordo com o significado que damos a ela.
Então imagine ficar falando a torto e a direito que está deprimindo, que está em depressão, que está depressivo, isto provoca uma reação no organismo e acabamos por assumir a postura física de uma pessoa deprimida: cabeça baixa, olhar perdido, isolamento social...
E se estivermos apenas tristes por alguma coisa que nos aconteceu, isto nos torna depressivos ou deprimidos?
Cuidado com as palavras, elas despertam imagens, sentimentos, emoções. Façamos bom uso desta incrível ferramenta que é a palavra. Que tal usá-la para expressar e despertar bons sentimentos, emoções positivas e atitudes idem?