Eram vinte horas e vinte nove minutos, quando comecei a escrever o texto que estava brotando em minha mente.
Falei que a lua era a única lâmpada acesa na rua e sua luz era tão clara e límpida que projetava, na sala da frente, na madeira do assoalho, estrelas quadradas que iluminavam o chão.
Teimei em escrever utilizando apenas uma vela como companheira. Quase não enxergava as teclas, porém por ter aprendido datilografia em tenra idade, podia escrever sem olhar para o teclado.
Um aviso em letras vermelhas apareceu na tela do computador avisando que não estava conectada.
Não havia conexão por que um poste, cansado de ficar ereto, resolveu pender para um lado.
O poste é um ser inconsciente, pende para o lado que mais lhe aprouver, ou o lado que o vento tiver força para levá-lo.
E nós, seres tidos como racionais e inteligentes não podemos nos dar ao luxo de pender para qualquer lado, sem pensar nas consequências…
Foi então que percebi que a escuridão estava afetando o meu psicológico.
Pensei: se a luz impede a conexão dos aparelhos digitais, nossa luz individual poderá interferir nas conexões interpessoais?
Teimei em continuar escrevendo na esperança de assistir à ressurreição da eletricidade, não sem antes sentir um pouco de medo ao pensar de que maneira os leitores interpretaram meus pensamentos…
E, afinal, a bateria do computador ainda dava sinais de vida…
No escuro, com a chama da vela já quase apagando, me percebi tentando imaginar a reação dos leitores se, de repente, não mais que de repente, parasse de assinar esta coluna. Sentiriam minha falta?
Ao me fazer esta pergunta, conclui que o melhor era finalizar o texto. Foi o que fiz, porém ao tentar enviar o texto para o jornal, terminei por enviá-lo para o reino dos textos perdidos, nem na nuvem achei o original… Sabe-se lá em que nuvem se escondeu.
O fato é que o computador sinalizava que era tudo pela falta de conexão com a rede…
Quando me preparava para ir dormir, num passe de mágica, a luz se fez e embora tenha tentado resgatar o original através da minha memória, não consegui e lhe apresento então, estas mal, isto é, bem traçadas linhas.