Os Estados Unidos, entre os anos de 1929 e 1968, presenciaram a vida de Martin Luther King Jr., o pastor que ganhou o Prêmio Nobel da Paz no ano de 1964 por promover o combate à segregação racial e ao preconceito no país. Ele nos deixou um importante legado sobre a causa da igualdade e o não uso da violência. Legado esse que faz com que seu nome seja homenageado mundo afora por monumentos e pelo batismo de ruas.
No ano de 2019, a National Geographic registrou cerca de mil ruas ao redor do mundo com o nome do ativista americano. Em Barra do Ribeiro, possuímos uma dessas mil ruas, que liga a Avenida Marechal Floriano Peixoto, popularmente batizada de Rua das Pontes Velhas, à Rua Quatorze de Julho.
Mas o que os autores das homenagens a Luther King e os redatores da National Geographic não contavam era com o jeito barrense de ser ao batizarmos nossas ruas. Em nossa defesa, valorizamos personagens que são icônicos da nossa cultura. Deixo aqui, desde já, um pensamento para o futuro: nomear oficialmente nossas ruas como elas são verdadeiramente conhecidas. Pois duvido que haja quem não diga que está indo ou passando pela Rua do FECO. Paulo César Santa Helena, muito mais conhecido como Feco, nasceu no dia 3 de novembro de 1966, na própria rua onde hoje mora e que batiza informalmente. Fez seu caminho educacional pelo Grupo, ou Salustiano Lira, e depois no então Ginásio da Escola São José.
Aos 13 anos, trabalhou na lancheria da rodoviária. Depois, foi ajudante de pedreiro e também trabalhou na Padaria Guarani até os 18 anos. Foi então para São Paulo, onde, junto ao irmão, trabalhou como vendedor ambulante por um período de oito meses, até retornar para nossa terra. Vale lembrar que, dos 15 aos 25 anos, vestiu a camisa rubro-negra do Juventus. Parou apenas durante essa ida à Terra da Garoa.
Novamente em Barra, trabalhou por três anos no Camping da Figueira. Depois, por um ano e três meses, trabalhou diretamente na Riocell, mantendo a mesma função pelas empreiteiras, como a Quebec.
Apesar de colorado, ele lembra que comprava as raspadinhas do Grêmio, pois as do Inter tinham fama de não serem muito assertivas. Em um de seus caminhos de ida e volta ao banco, comprou uma raspadinha do Grêmio. Ela lhe premiava com outra grátis.
No dia seguinte, indo à lotérica retirar o prêmio, encontrou apenas uma raspadinha do time vermelho. Foi justamente ela a premiada. Com o valor recebido, comprou sua propriedade, onde permanece até os dias de hoje.
Por um período, a propriedade ficou alugada. Isso ocorreu pelo menos até o ano de 1994, quando iniciou seu negócio: o Mercado Santa Helena. O mercado permaneceu aberto até 2013.
Depois do mercado, montou o negócio de organização de eventos e festas particulares. Sempre ligado ao tradicionalismo, desde 2009 é presença garantida nos Acampamentos Farroupilhas de nossa cidade. Seu piquete tornou-se parada obrigatória para quem gosta de um churrasco bem gaúcho.
Durante oito anos, com apenas o intervalo da pandemia, comandou a lancheria da Fábrica de Gaiteros. Com parceria firmada há longa data com a instituição e com Renato Borghetti, é o responsável pela alimentação nos Festivais Internacionais da Gaita.
Vale lembrar que não precisamos esperar pelo festival ou pelo acampamento para experimentar a culinária do Feco. Em seu tradicional endereço, ele vende suas refeições diárias e seus dois principais produtos. Durante todo o ano, comercializa o tempero que abastece nosso comércio. Já durante o inverno, serve o mocotó, prato típico de nossa cultura.
Por último, e não menos importante, é pai de duas Marias: Maria Alice Lima Santa Helena e Maria Carolina Lima Santa Helena. Também é avô do Santiago.
Seja por nomear informalmente sua rua ou pela presença garantida em nossos eventos culturais, o Feco deve sempre ser lembrado como um símbolo da cultura popular de Barra do Ribeiro. Também representa um exemplo da indumentária da tradição gaúcha, expressando, através de seus e de nossos costumes, a essência da nossa terra e da nossa gente.