As grandes histórias merecem ser contadas. Como sempre gosto de lembrar, os livros que mais gosto de ler são as biografias, pois através delas conseguimos viajar pelo tempo de maneira intimista, acompanhando cada capítulo da vida das pessoas a partir de suas próprias vivências. Normalmente, as pessoas biografadas são grandes figuras de seus lugares e de suas épocas, sendo sempre notadas quando chegam, ouvidas quando falam, criticadas e apoiadas na mesma intensidade e, quase sempre, respeitadas até mesmo por aqueles que seguem caminhos opostos. Ou seja, você pode amar ou odiar, mas não pode negar quem são.
Quem é ela? Agora vamos saber.
Dione Cortinaz nasceu no dia 2 de outubro de 1961, em casa, na Fazenda do Brejo, com a ajuda da parteira da cidade, Dona Rosa. Filha de Manoel Romeu Cortinaz e Irene Cortinaz, cresceu ao lado da irmã Marione em meio ao interior, ao trabalho no campo e às relações comunitárias que ajudaram a construir sua personalidade forte e afetiva. Sua infância acompanhou o ritmo da lida do pai com as vacas leiteiras e a produção de leite, convivendo intensamente com famílias tradicionais e muito queridas da comunidade, como a família Rosa e as famílias de Cacaio, Neco, Quesa, Zecão e Dona Maria.
Seguindo o caminho da produção leiteira, a família saiu da Fazenda do Brejo para a Fazenda do Caloca, chegando a fornecer produção para a Corlac. Mais tarde, viveram por um período na Fazenda Barba Negra, onde o trabalho passou a ser voltado à produção de arroz. As moradias eram as chamadas bolantes, casas sobre rodas que, apesar da simplicidade, guardam algumas das lembranças mais felizes de sua infância. Foi nesse período que aprendeu a viver com liberdade, coragem e independência.
Por volta dos sete anos de idade, a família mudou-se para o centro da cidade, onde adquiriram uma casa, um açougue e um matadouro regional. Desde cedo, Dione foi incentivada a estudar e a buscar seu próprio caminho. Casou-se ainda jovem e construiu sua família ao lado dos filhos Mikael, Jussara e Victória. Mais tarde, ganharia aquele que considera um dos títulos mais especiais da vida: o de avó da pequena Helena.
Sua formação acadêmica começou na Escola São José, onde guarda até hoje a lembrança de professores marcantes da cidade, como a professora Ely, os irmãos Jorge e Vera Ojeda e Airton Hoff. O Ensino Médio foi concluído no Colégio Dr. Carlos Pinto de Albuquerque, período em que já estava grávida de seu primogênito.
Além dos estudos, outro grande destaque em sua trajetória sempre foram as artes e os esportes. No teatro, foi aluna do renomado professor Nestor Monastier, experiência que lhe rendeu participação na peça “O Gaudério”, premiada no festival de Santo Ângelo. Também participou da fundação do Grupo de Teatro Salim Sarquis, ao lado de Pedro Munhoz Barbosa. Nos esportes, destacou-se no voleibol e no handebol, sendo atleta da Sogipa, em Porto Alegre, onde conquistou o título de campeã no voleibol.
Na vida acadêmica e profissional, nunca parou de estudar. Cursou Educação Física na Unisinos, Medicina Veterinária por três anos na Ulbra, Tecnologia em Transações Imobiliárias na ACM e também realizou cursos na Uniasselvi. Ao longo dos anos, investiu continuamente em conhecimento através de pós-graduações, MBA e especializações. Concluiu ainda o Mestrado em Medicina Ayurvédica, área na qual atuou como professora, participando de formações vinculadas à Índia com professores indianos. Atualmente dedica-se ao estudo diário da Filosofia e à especialização em hedonismo, acreditando que o estudo é uma das maiores ferramentas de evolução pessoal e expansão da consciência.
Parte do que a torna uma personalidade marcante da comunidade está diretamente ligado à sua trajetória profissional. Foi aprovada em segundo lugar em concurso público municipal, atuando como diretora de creche, no Recriança e também como secretária da Saúde e da Assistência Social. Empreendedora, fundou há cerca de 30 anos o CFC da Barra, hoje administrado pelos filhos e consolidado como referência regional. Também atuou como radialista na rádio comunitária de Barra do Ribeiro e posteriormente na Rádio Pampa.
Atualmente trabalha como Closer Sênior no segmento de multipropriedade e venda de resorts, exercendo funções de liderança, formação profissional e treinamento de equipes. Com atuação em diversos estados brasileiros e também em Portugal, destacou-se em negociações que ultrapassaram 150 milhões de reais. Define o setor de vendas como um dos maiores desafios e aprendizados de sua vida.
Da carreira profissional, partiu para a política, onde foi vereadora por dois mandatos, período em que foi a única mulher na Câmara Municipal, destacando-se pela postura firme, combativa e pela forte presença pública. Também ficou marcada pelo tradicional Fusca rosa utilizado durante as campanhas eleitorais, símbolo lembrado até hoje pela comunidade e que acabou se tornando uma extensão de sua personalidade forte e autêntica.
Durante sua atuação política, participou de CPIs, encaminhamentos ao Ministério Público e trabalhou como relatora de investigações políticas, tendo como principais referências Kátia Almeida, Nenê Naibert e seu tio Omar. Em sua última candidatura não foi eleita, mas sempre ressalta que não guarda mágoas, pois acredita na democracia e na vontade popular, mantendo até hoje o carinho e o reconhecimento de muitos eleitores que recordam sua atuação.
Em nível estadual, atuou como assessora no Governo Rigotto, período em que denunciou irregularidades relacionadas ao esquema conhecido como “sanguessugas das ambulâncias”, demonstrando mais uma vez sua postura firme diante da vida pública.
A espiritualidade sempre ocupou papel central em sua caminhada. Batizada na Igreja do Evangelho Quadrangular, posteriormente passou a frequentar a Nossa Casa, em Porto Alegre, onde atuou como médium de saúde até a pandemia. Atualmente frequenta a CC Videira, mantendo uma forte vida de oração e fé cristã, acreditando na continuidade da vida espiritual, no poder da oração e que os animais também possuem alma.
Um dos momentos mais difíceis de sua vida aconteceu quando precisou deixar cargos públicos para cuidar do filho durante um grave problema de saúde. Foi um período de intensa luta, fé e superação, que ela define como um verdadeiro milagre alcançado através das orações. Talvez por isso fale tanto sobre esperança, força e evolução pessoal.
Hoje se considera uma mulher realizada, feliz e em constante transformação. Mantém atuação nas áreas comercial e educacional, acorda diariamente às cinco da manhã para estudar Filosofia e prepara o lançamento de seu livro, projeto que considera mais um importante capítulo de sua trajetória.
E talvez seja exatamente isso que torne Dione Cortinaz uma dessas pessoas que jamais passam despercebidas pelo tempo. Sua história foi construída entre desafios, coragem, fé, perdas, recomeços e uma vontade permanente de evoluir. Entre a política, os negócios, os estudos, a espiritualidade e a família, deixou marcas por onde passou e segue escrevendo novos capítulos todos os dias. Porque algumas pessoas apenas vivem, enquanto outras transformam suas próprias histórias em legado. Dione é dessas figuras que carregam consigo a intensidade de quem nunca teve medo de tentar, mudar, lutar e, acima de tudo, continuar acreditando nas pessoas, na vida e em Deus.