Minha mãe atendia pelo nome de Maria de Lourdes.
Ela nasceu em 1921, no dia 2 de outubro, em São Luís do Maranhão.
Foi aí que ela viveu até os seus cinco anos, quando sua mãe veio para a cidade de Uruguaiana, aqui mesmo, no Rio Grande do Sul.
Minha vó veio com a missão de encontrar seu marido, porém nem tudo saiu como ela desejava e ela resolveu voltar para sua terra natal.
Minha mãe ficou em Uruguaiana, onde cresceu, estudou, formou-se professora e começou a trabalhar.
Naqueles tempos os professores iam para onde eram convidados e assim, de cidade em cidade, minha mãe chegou aqui em Barra do Ribeiro, onde encontrou meu pai Waldy Ribeiro Würdig.
Era o ano de 1943, reza a lenda urbana que Maria tinha cabelos negros e olhos igualmente escuros.
Quando os dois se viram, parece que se reconheceram como dois vultos entediados e desejosos de uma vida mais alegre e feliz.
Em abril se conheceram e em outubro se casaram.
Minha mãe era professora, trabalhou no Grupo Escolar Tenente João Salustiano Lira, onde foi diretora. Era criativa, inteligente, decidida e cheia de iniciativas.
Ela era uma mulher extraordinária, tudo aprendia e tudo fazia. Costurava, fazia tricô, crochê, bolos decorados, pintava, sem contar o envolvimento que tinha sempre ajudando as pessoas necessitadas.
Quando meu pai foi prefeito pela primeira vez, ela o acompanhou durante seu mandato, tornando-se a primeira assistente social que este município já teve, junto com Jeorgina Risse Gattino, sua amiga e parceira nos projetos que desenvolveram na cidade.
Na segunda gestão do prefeito Waldy, juntamente com os companheiros do Lyons Club, Maria foi uma das fundadoras da Creche Municipal Tia Romana que existe até hoje.
Maria era uma mulher firme, de opiniões forjadas pelos valores que recebeu e pelas escolhas de seu próprio coração onde sempre achava lugar para acolher quem precisasse, sem nenhum tipo de discriminação.
Tinha uma sensibilidade aguçada e, vez por outra, convertia-se em cigana lendo a sorte na palma das mãos das pessoas, acertando quase sempre, mesmo sem conhecer o dono ou dona da mão.
Penso nela todos os dias e só agora compreendo a dimensão do ser humano que ela foi. A maior parte do que penso saber, aprendi com ela e meu pai.
Tenho imensa gratidão a Deus por ter nascido do ventre dessa mulher chamada Maria ou tia Maria como muitas pessoas a chamam até hoje.
Espero pode ser, pelo menos, um pouco do muito que ela representa para mim e para esta cidade.
Através do amor que sinto por minha mãe, desejo a todas as mães de ventre ou coração um feliz dia das mães.