O escravismo de povos africanos no Brasil manchou a nossa história. Claro que essa não foi a única mancha, mas, por certo, a mais grave.
A colonização portuguesa, que ocorreu em forma de exploração dessa terra e suas riquezas, foi o principal motivo das consequências culturais e sociais ''danosas'' que, até hoje, afetam a nossa sociedade.
Foram, oficialmente, quase 400 anos de escravidão negra em nosso país. Milhões de nativos africanos foram separados de suas famílias e conduzidos contra a sua vontade para o Brasil, para servirem ao trabalho escravo em lavouras de cana-de-açúcar e em várias outras produções: engenhos de açúcar, minas de ouro, charqueadas, trabalho doméstico, de ganho e tantos outros serviços difíceis, pesados, insalubres e degradantes.
Os trabalhos eram cruéis, mas não menos que os castigos aos quais os escravizados eram submetidos sucessivamente. Isso tornava suas vidas, em geral, sofridas e curtas.
Toda essa crueldade, que iniciava com o tráfico de pessoas africanas para o Brasil, passando pelo comércio interno de compra e venda de seres humanos, era amparada por lei. Sim, o escravismo fazia parte da cultura da sociedade do período colonial brasileiro e rendia grandes lucros aos traficantes, comerciantes e fazendeiros.
A Princesa Isabel, filha de D. Pedro II, imperador da monarquia brasileira do século XIX, assinou, em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, que acabou com a escravidão africana no Brasil. Mas não foi assinada por acaso ou por bondade da Princesa, e sim por uma pressão que partiu de vários núcleos da sociedade nacional e internacional.
Após a liberdade, os ex-escravizados foram jogados à própria sorte, tendo que residir em condições precárias nos morros e periferias. Os mais ''afortunados'' obtinham trabalhos considerados desprezíveis e com baixíssimos salários, apenas porque eram negros. Criou-se, assim, uma nova cultura de exclusão no Brasil: o preconceito e o racismo.
Essa história ainda não acabou, pois, em pleno século XXI, o mercado de trabalho e várias instituições da sociedade brasileira mantêm ''vivo o escravismo'' através da restrição de oportunidades, baixos salários, preconceito e racismo. As grandes mídias e a principal delas, a televisão, também contribuem negativamente, pois os serviçais domésticos das novelas invariavelmente são negros - e isso não é por acaso, mas uma forma de manutenção da estratificação social afrodescendente em nosso país.
Nos tempos atuais, algumas leis foram criadas a fim de minimizar ou, de alguma forma, compensar esse triste período escravista. Mas parte da sociedade insiste em não entender tudo isso e se coloca contra esses benefícios - talvez lhes faltem consciência social e conhecimento histórico.
O Brasil tem uma dívida impagável de humanidade para os povos africanos aqui escravizados. Precisamos propor uma profunda reflexão e, a partir disso, conscientizar nossos filhos sobre essa questão tão importante, para que eles, em um futuro próximo, venham a construir uma nova sociedade, livre de preconceito e racismo. Só assim teremos motivos para, verdadeiramente, comemorarmos o 13 de maio.
A herança que o escravismo brasileiro nos legou é um conjunto de desigualdades estruturais, sociais e culturais que moldam o país até os dias atuais.
Precisamos fazer essa reflexão!