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Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026

Nossa Terra e Nossa Gente

Alésia Cristina Ortiz

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Lucas Bonebergr
Por Lucas Bonebergr
Alésia Cristina Ortiz
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As emoções fazem parte da existência humana tanto quanto o oxigênio faz parte da composição da água. Ao longo da história, elas foram estudadas e interpretadas por sacerdotes, sábios, filósofos e, mais tarde, por cientistas. Com o apogeu do século XIX e as profundas transformações vividas pela sociedade, a Psicologia deu um passo decisivo rumo ao reconhecimento científico. Em 1879, o alemão Wilhelm Wundt fundou, na Universidade de Leipzig, o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à Psicologia Experimental, marco considerado o nascimento da Psicologia como ciência.

No Brasil, a área começou a se desenvolver no início do século XX, com os primeiros laboratórios e clínicas sendo criados no Rio de Janeiro entre 1906 e 1908. Atualmente, segundo dados do Conselho Federal de Psicologia (CFP), cerca de 50 mil novos profissionais se formam todos os anos. O país conta hoje com aproximadamente 600 mil psicólogos registrados, consolidando-se como uma das maiores comunidades de profissionais da área no mundo.

Entre esses mais de 600 mil profissionais está a personagem desta edição, Alésia Cristina Ortiz. Nascida em 21 de julho de 1967, é filha de Djalmo Ortiz e Leia Erdman. A família também é formada pelo irmão, Roge Ortiz, que atualmente reside em Belém do Pará, onde atua como piloto agrícola.

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Alésia faz parte daqueles que podem ser chamados de barrenses de nascimento. Veio ao mundo em Barra do Ribeiro, pelas mãos de uma das tradicionais parteiras da cidade, e aqui construiu praticamente toda a sua trajetória de vida. Os primeiros anos de estudo aconteceram na Escola São José. Em seguida, a família mudou-se por um ano para Cristal. Com o retorno a Barra do Ribeiro, passou a estudar na Escola Mate Doce e, posteriormente, na Escola Fernando Hoff, que na época funcionava no prédio onde hoje está instalada a APAE. Concluiu o Ensino Fundamental na Escola São José e, posteriormente, cursou o Magistério no Instituto Estadual Gomes Jardim, em Guaíba.

Foi entre a adolescência e o início da vida adulta que surgiu um hábito que mudaria completamente sua trajetória: a leitura. Frequentadora assídua da biblioteca pública de Barra do Ribeiro, tinha como objetivo cursar Medicina. No entanto, foi por meio dos livros que descobriu sua verdadeira vocação. A obra Sobre a Morte e o Morrer, da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, despertou seu interesse pela Psicologia ao abordar temas como o luto, o cuidado e a compreensão das emoções humanas.

Com o caminho já definido, ingressou no curso de Psicologia da Unisinos. Durante a graduação, teve experiências profissionais no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Hospital Psiquiátrico São Pedro e também na Secretaria Municipal de Educação de Guaíba. Ela acreditava que, por ser bastante conhecida em Barra do Ribeiro, encontraria dificuldades para conquistar pacientes. O que aconteceu foi justamente o contrário: antes mesmo da formatura, já era procurada por pessoas que confiavam em seu trabalho.

A carreira profissional começou no consultório particular e, ao longo dos anos, também atuou como secretária municipal de Desenvolvimento Social durante a administração do prefeito Carlos Cesar. Em 2020, no governo do então prefeito Jair Machado, passou a integrar, de forma voluntária, a equipe do Centro de Referência da Mulher (CRM), conhecido como Casa da Mulher. Barra do Ribeiro está entre os poucos municípios gaúchos que contam com esse importante serviço de acolhimento, orientação e defesa dos direitos das mulheres, uma iniciativa cada vez mais necessária diante da realidade enfrentada por tantas famílias.

Paralelamente ao trabalho desenvolvido no CRM, seu consultório cresceu e deu origem à Clínica Crescer. Hoje, além da própria Alésia, o espaço reúne profissionais das áreas de Psicologia, Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia, oferecendo atendimento multidisciplinar à comunidade.

Na vida pessoal, a família ocupa um lugar especial em sua trajetória. Alésia é mãe de Patrícia, formada em Direito, avó de Mathias, e também mãe de Lauren, a filha caçula, que atualmente cursa Medicina na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Ao conhecer a trajetória de Alésia, percebemos que a Psicologia vai muito além de uma profissão: ela representa o compromisso de compreender, acolher e transformar vidas. Em uma época em que falar sobre saúde mental se tornou cada vez mais necessário, sua história demonstra que o conhecimento aliado à empatia pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Assim como tantas outras personagens desta coluna, Alésia nos lembra que o verdadeiro legado de uma pessoa está na marca que ela deixa na comunidade onde vive.

Lucas Bonebergr

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