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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026

Mural Cultural

A Revolução Farroupilha, a Semana Farroupilha e a origem da nossa cultura

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Eduardo Fraga
Por Eduardo Fraga
A Revolução Farroupilha, a Semana Farroupilha e a origem da nossa cultura
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Sim, precisamos falar sobre nossa cultura campesina!

Novamente estamos diante de mais uma “Semana Farroupilha” e precisamos tratar sobre este tema, pois o mesmo nos é muito caro! A cada ano surgem novos leitores com dúvidas e questionamentos e nossa função é contribuir e democratizar o conhecimento.

A cultura de um povo não é criada por alguém, ela é a sua mais pura essência e as suas principais características, e isso se desenvolve através de hábitos e costumes ao longo do tempo, que passam de geração em geração. Foi o que aconteceu aqui no Rio Grande do Sul, uma sequência de eventos que, ao longo de quase duas centenas de anos, desencadearam a formação de uma cultura única e absolutamente nossa, começando pela “Revolução Farroupilha” e a fundação de uma República no Rio Grande do Sul, em plena Monarquia no Brasil, em 1835.

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Por questões de desordem nacional e mundial, conflitos sociais, guerras, ditaduras e, entre elas, a Segunda Guerra Mundial, nossa cultura e tradições ficaram na “escuridão”, em meio a uma sociedade desalentada, que apenas tentava sobreviver nos períodos belicosos daqueles tempos.

Em 1947, dois anos após a Segunda Guerra Mundial, oito jovens estudantes da Escola Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, denominados de “Grupo dos Oito”, tomaram uma atitude inusitada para a época, que mudou os rumos da história e nos deu uma semana de comemorações em homenagem à “Revolução Farroupilha” e, também, acabou por consolidar a nossa cultura.

Liderados por João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, um jovem de apenas 20 anos, estudante do Ensino Médio, criaram, a partir de uma centelha do “Fogo Simbólico da Pátria Brasil”, a “Chama Crioula” e, na sequência, fizeram uma semana de comemorações na escola, assim, originando a “Semana Farroupilha”, tudo isso em homenagem aos que lutaram e participaram da “Revolução Farroupilha”, em 1835. Hoje, estes símbolos são o maior orgulho do nosso povo e da nossa cultura.

Em 1948, Paixão Côrtes e seu inseparável amigo de pesquisas e produções literárias, Luiz Carlos Barbosa Lessa, somados aos integrantes do Grupo dos Oito, entre outros, fundaram o primeiro CTG (Centro de Tradições Gaúchas). A ideia era ter uma instituição que mantivesse viva a cultura campesina do Rio Grande do Sul. Dessa forma, deram origem ao “35 CTG”, o pioneiro, o primeiro CTG, que existe até hoje na capital gaúcha. O nome do primeiro CTG homenageia o ano de 1835, data do início da Revolução Farroupilha.

Em 1966, foi criado o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho), uma instituição para abrigar, em associação, os CTGs que estavam nascendo em grande número no Estado, bem como trabalhar para manter vivas as mais autênticas tradições e seus símbolos.

Há alguns anos, antes de sua partida, o “Pai do Tradicionalismo”, Paixão Côrtes, fez um pedido ao presidente do MTG para reavaliar o Movimento Tradicionalista, para que não perca a sua essência, mas, ao mesmo tempo, venha a transitar com naturalidade junto à juventude e aos novos tempos.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho deve continuar levando às novas gerações o legado deixado por Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e o “Grupo dos Oito”, que criaram a “Chama Crioula” e a “Semana Farroupilha”.

Portanto, nos cabe hoje recebermos a “Chama Crioula” em nosso município, festejarmos com a devida responsabilidade e mantermos vivas as nossas tradições, sem excessos de modernidade, mas também sem ficarmos presos a dogmas do passado. Assim, estaremos cumprindo o que Paixão Côrtes pediu.

Parece que há pessoas que vêm a este mundo com uma missão definida, que é, de alguma forma, contribuir com as culturas e a sociedade. Foi o que aconteceu com Paixão Côrtes, que, em seus últimos momentos, preocupou-se com as tradições que resgatou do esquecimento e com o legado cultural que nos deixou.

Precisamos manter viva a memória dos Farroupilhas, pela Revolução cultural, política e social que fizeram e que colocou o Rio Grande do Sul como protagonista no cenário nacional brasileiro!

Agora, é curtir a nossa tão esperada “Semana Farroupilha” que está começando: em nossas escolas, nos CTGs, nos Parques Farroupilhas dos municípios, nas casas, nas estâncias, onde for! O importante é confraternizar com os familiares e amigos, com rodeios, gastronomia, música, dança e diversão.

O dia 20 de setembro é a data máxima da cultura do Rio Grande. Portanto, coloque sua melhor pilcha, encilhe seu cavalo, coloquem as crianças, as mulheres, os idosos e quem mais quiser nas charretes e nos caminhões, decore tudo com as cores da nossa bandeira e vamos fazer um grande desfile, em homenagem aos nossos antepassados Farroupilhas, que pelejaram pelo futuro dos seus, e os seus somos nós hoje!

Portanto, devemos a todos eles, representados em Bento Gonçalves e Anita Garibaldi, todas as glórias e homenagens e a eternidade de suas memórias!

Uma ótima Semana Farroupilha 2026 a todos os gaúchos e gaúchas, de todas as querências do Rio Grande, do Brasil e do mundo!

Viva as nossas mais antigas Tradições!

Eduardo Fraga

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