Em nossa capital federal, Brasília, fica guardado o Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria, onde estão registrados nomes importantes para o nosso país que, ao longo de nossa História, deixaram sua contribuição para a formação nacional, cultural, política, social e histórica. Muitos desses nomes são lembrados justamente a partir do crepúsculo das últimas semanas de agosto e do amanhecer de setembro. Em nossa cultura municipal, essa é a época em que o município se prepara para o desfile cívico e, nele, homenageamos um dos ossos heróis e heroínas barrenses. Por sua vez, em 2026, a heroína deste ano é a Tia Inês.
Maria Inês G. Gonçalves tem uma história exemplar de persistência e superação. Nascida no dia 4 de setembro de 1965, é filha de Valdeci Lopes Gonçalves e Sueli Salazar Gonçalves. Nasceu na Fazenda dos Garcia, e a primeira fase de sua vida foi marcada por acompanhar o ritmo de trabalho do pai, campeiro. O campo e a tradição gaúcha fizeram, e ainda fazem, parte de sua vida.
A família passou por Tapes, na fazenda de Paulo Santana, e depois voltou para Barra do Ribeiro, na Rua Francisco Gutierres. Nessa época, sem saber, passou por um lugar que faria parte de grande parcela de sua vida: a Escola Fernando Hoff, onde estudou até a 4ª série. Depois, passou para a Escola São José.
Foi quando a família passou pela Fazenda dos Araújo, conhecida popularmente como Fazenda do Paulo Odone. Por ali ficou dos 13 aos 17 anos e foi aos 14 que estudou no Colégio Dr. Carlos Pinto de Albuquerque.
No ano de 1981, trabalhou na Fábrica de Calçados e, em 1983, casou-se do jeito mais gaúcho possível com Claudio Andrade Gonçalves, também conhecido como Zé Pretinho. A cerimônia contou com charrete para levar a noiva, pilcha e praticamente três dias de baile sem parar.
Em 1986, nasceu o filho João. Nesse período, a família trabalhava com Ângela Kurtz.
Em busca de trabalho, sempre seguindo em frente, passaram por Taquara, Rolante, fizeram uma volta pela Barra, passaram por Bacupari e chegaram definitivamente à nossa terra, na Fazenda do Capão Redondo. Houve ainda uma passagem por Gravataí e mais um retorno para nossa cidade.
Nessa chegada, Inês prestou concurso para o município para os cargos de merendeira e servente. Ficou em 5° lugar para merendeira e em 2° para servente. Foi como servente que ingressou na família Fernando Hoff, desta vez para ficar.
No dia 21 de setembro, completará 28 anos de casa. E a notícia de que havia sido chamada veio de uma maneira que parece até ter sido escrita para sua história: estava arrumando as pilchas depois de mais uma passagem pelos festejos de 20 de setembro.
Seu dia a dia na Hoff é marcado por fazer aquilo de que gosta: cozinhar. Em suas próprias palavras, a comida é algo sagrado. Ao ser escolhida como homenageada deste ano, acredita que recebeu uma responsabilidade enorme, pregando sempre que todos somos iguais e que a base de tudo é o respeito.
O seu Zé foi muito mais do que um marido. Foi parceiro e amigo. Mesmo depois de sofrer um AVC, mostrou ainda mais o tamanho de sua garra. Durante 20 anos, Inês fez mais do que tudo o que pôde para proporcionar a ele a melhor qualidade de vida possível.
Dois anos depois do AVC, enfrentou a partida do filho. E, mesmo diante de todas essas dificuldades, segue todos os dias sendo exemplo para aqueles que convivem com ela e também para nós, que temos o privilégio de vê-la ter seu nome gravado, com todo mérito, no livro de aço da nossa História.
E termino estas linhas com uma frase que é o lema de nossa heroína:
"Eu não tenho problemas, eu tenho soluções!"