O mês de setembro, por coincidência ou obra do destino, traz na sequência dois momentos importantes da nossa história e da nossa cultura: o recente 7 de Setembro, quando relembramos a Independência do Brasil, e agora o 20 de Setembro, data que marca o início da Revolução Farroupilha e que, ao longo do tempo, tornou-se um dos principais símbolos da identidade e da cultura gaúcha.
Foi durante os dez anos de conflito entre os farroupilhas e o Império do Brasil que surgiram e se destacaram personagens que fazem parte da nossa memória, como Bento Gonçalves, Antônio de Souza Netto, David Canabarro, Teixeira Nunes, Giuseppe e Anita Garibaldi, entre tantos outros. Mais do que lembrar os acontecimentos de uma guerra, o 20 de Setembro tornou-se uma oportunidade de celebrar costumes, tradições e símbolos que ajudaram a construir a identidade do povo rio-grandense.
Essa cultura foi, ao longo do tempo, organizada e difundida pelo movimento tradicionalista gaúcho, tendo no 35 CTG e em nomes como Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva importantes referências. A pilcha, o cavalo, o churrasco, a música e tantos outros elementos passaram a fazer parte desse movimento de valorização das tradições do Rio Grande do Sul, criando um sentimento de pertencimento que atravessa gerações.
Uma das grandes preocupações de qualquer identidade cultural é justamente a sua continuidade. E surge então a dúvida: será que as futuras gerações vão manter acesa a chama da cultura e da tradição gaúcha? Se depender das cordas dos violões, dos foles das gaitas e das vozes dos integrantes do grupo Os Chasqueiros, nossa música gaúcha estará muito bem representada.
O grupo surgiu durante o Acampamento Farroupilha de 2024, em uma dessas conversas entre amigos, quando a vontade de tocar e cantar juntos acabou dando origem ao grupo. Formado por quatro jovens de Barra do Ribeiro, Os Chasqueiros carregam em sua trajetória não apenas o gosto pela música, mas também as raízes de suas famílias e a ligação com a nossa terra.
Arthur Vaszelewski, de 18 anos, cresceu em um ambiente de contato com a música gaúcha, tendo nos tios gaiteiros uma de suas primeiras referências. Desde pequeno, também ouvia o rádio e a música tradicionalista. Aos 8 anos, ingressou no Projeto Fábrica de Gaiteiros, experiência que marcou sua formação musical e abriu caminho para sua trajetória como músico.
Bernardo de Souza, de 15 anos, por sua vez, teve a influência musical principalmente dentro da própria família. Desde pequeno, cresceu ouvindo seu avô, Esmael Tavares, o “Seu Dorão”, gaiteiro, e seu tio, José Airton Tavares, o “Boca”. Aos 14 anos, aprendeu a tocar violão e passou a integrar a formação do grupo.
Felipe Feijó, também de 15 anos, teve no avô, Cândido Feijó, história que já contamos por aqui, uma de suas principais referências musicais. Aos 8 anos, começou a cantar ao lado dele. Aos 12, iniciou as aulas de violão e passou a se dedicar mais profundamente ao instrumento. Atualmente, é vocalista e violonista dos Chasqueiros, grupo do qual faz parte desde a fundação.
Igor Chara, de 18 anos, diferentemente dos demais integrantes, não teve inicialmente uma ligação familiar direta com a música. Sua aproximação aconteceu por meio da convivência com outros artistas e músicos, desenvolvendo a admiração pela melodia e, especialmente, pelo violão. A convivência com os demais integrantes também foi importante para que encontrasse seu espaço dentro da música gaúcha.
E, desde a formação do grupo, a gurizada vem marcando presença em eventos ligados à cultura gaúcha e à comunidade, levando sua música para rodeios, festas campeiras, aniversários, escolas e encontros tradicionalistas. Entre as apresentações já realizadas estão a Expointer, a Rádio Liberdade, o Rodeio Municipal e o Acampamento Farroupilha, além de diversos CTGs de Barra do Ribeiro e de outros municípios. Dessa forma, os jovens músicos vão ampliando cada vez mais o alcance de seu trabalho e levando consigo um pouco da música, da tradição e do nome de Barra do Ribeiro.
A história dos Chasqueiros também mostra que a tradição não precisa ficar presa ao passado para continuar viva. Ela pode ganhar novos rostos, novas vozes e novos instrumentos, encontrando nos jovens o caminho para seguir adiante. E talvez seja justamente essa a maior beleza de uma cultura: poder ser recebida pelas gerações futuras, transformada e, ainda assim, continuar carregando a essência de suas raízes.
Eu, particularmente, que, apesar de não parecer pela minha falta de pilcha, sou grande admirador da música gaúcha, tive a oportunidade de assistir à apresentação dos nossos personagens no aniversário do Multiespaço e fiquei muito feliz ao ver jovens com uma qualidade musical tão grande e, principalmente, com tanto entusiasmo pela nossa cultura. São histórias como essa que nos fazem acreditar que a tradição continuará viva e que esses quatro jovens ainda têm muita música para tocar e, com certeza, muita história para escrever.