Há pouco mais de dois anos, em 29 de março de 2024, era publicada a primeira edição de Nossa Terra e Nossa Gente. Desde então, o projeto alcançou a marca de 116 entrevistas e histórias, registrando a memória, as trajetórias e as contribuições de pessoas que ajudam a construir, todos os dias, a identidade de Barra do Ribeiro.
Assim como fiz em 2025, acredito que seja importante olhar para trás e fazer um balanço do caminho percorrido. Mais do que celebrar números, este é um momento para refletir sobre o propósito que deu origem ao projeto e sobre tudo o que ainda há para ser contado.
A ideia nasceu alguns anos antes, quando tive contato com uma revista produzida em comemoração ao aniversário da cidade vizinha de Guaíba. Em suas páginas, moradores tinham suas histórias registradas em pequenos relatos. Na época, ainda como futuro historiador, enxerguei naquela iniciativa algo extraordinário. Pensei que Barra do Ribeiro também possuía personagens e histórias que mereciam ser preservados. Anos mais tarde, durante a minha licenciatura em História, conversando com meu orientador e professor, hoje colega de profissão e de jornal, Luís Eduardo Souza Fraga, essa ideia finalmente encontrou seu rumo.
Mais do que contar biografias, o projeto nasceu com a missão de preservar a memória da nossa comunidade, valorizando pessoas que, muitas vezes, não aparecem nos livros, mas que ajudam a escrever a história da cidade todos os dias.
De forma simples, iniciamos as entrevistas com Ana Maria Würdig Ribeiro, minha também colega de jornal. A primeira história publicada foi a de Waldy Ribeiro Würdig, nosso primeiro prefeito e célebre escritor. A meta inicial era chegar a 100 entrevistas. Hoje, esse objetivo já foi ultrapassado e, sinceramente, não consigo mais enxergar um fim para este projeto. Sempre existe alguém cuja trajetória merece ser registrada e, ao mesmo tempo, novas histórias surgem diante de nós.
Foi justamente nesse percurso que compreendi que Nossa Terra e Nossa Gente deixou de registrar apenas o passado. Hoje, ele também documenta o presente. Afinal, a História não acontece somente nos grandes acontecimentos; ela é escrita diariamente pelas pessoas comuns que trabalham, empreendem, ensinam, criam, sonham e transformam a nossa cidade.
Ao longo dessa caminhada, passaram por estas páginas prefeitos, vereadores, comerciantes, empreendedores, professores, artistas, trabalhadores, lideranças comunitárias e tantas outras pessoas que fizeram, e continuam fazendo, parte da construção de Barra do Ribeiro. Embora seja uma cidade ainda jovem, ela já acumulou acontecimentos, desafios e conquistas que jamais podem ser esquecidos.
Nenhuma dessas páginas existiria sem a confiança de cada entrevistado, que abriu as portas de sua casa, compartilhou fotografias, documentos, lembranças e sentimentos. Cada entrevista reforça a certeza de que preservar a memória é também uma forma de valorizar quem somos e de deixar um legado para as futuras gerações.
Por fim, Barra do Ribeiro também será o tema do desenho que representará meu trabalho no concurso BIC Art Master Brasil 2026. Produzido inteiramente com canetas esferográficas, o desenho retrata uma cena inspirada no nosso Farol dos Molhes, na Picada. Confesso que alcançar o pódio será um enorme desafio, considerando a dimensão nacional do concurso e o fato de que minha principal especialidade é o desenho a lápis. Independentemente do resultado, a maior conquista já será poder apresentar Barra do Ribeiro ao Brasil por meio da arte, levando conosco um pouco da beleza, da história e da identidade da nossa terra.
Aprendi, nesses mais de dois anos, que a história de uma cidade não é feita apenas por datas, decretos ou grandes acontecimentos. Ela vive na memória de seu povo, nas lembranças preservadas por cada família e nas trajetórias daqueles que ajudaram — e continuam ajudando — a construir nossa comunidade. Enquanto houver alguém disposto a compartilhar sua história, haverá uma nova página para escrever. Seja por meio das palavras ou do desenho, continuarei acreditando que contar a história de Barra do Ribeiro é uma das formas mais bonitas de demonstrar amor pela nossa terra. E é por isso que Nossa Terra e Nossa Gente ainda está apenas começando.