A Vida e a Morte são velhas senhoras de bom gosto. Engana-se quem pensa que uma não gosta da outra. Longe de serem inimigas, elas são irmãs, primas e, de longe, muito amigas. Em suas conversas, trocam presentes e favores. A Morte permite que a Vida seja o palco para a passagem de heróis, artistas e pessoas extraordinárias. Por sua vez, a Vida permite que, no momento certo, essas mesmas pessoas desçam do seu palco para se tornarem estrelas na eternidade.

Existem pessoas que passam pela História, existem pessoas que fazem a História e, por fim, existem pessoas que são a própria História. Assim é Rodi Pedro Borghetti, que, de tão grande, não soube ser apenas de Flores da Cunha, mas sim fez parte daqueles que construíram o próprio Rio Grande.
Não quero me atrever aqui a cometer o erro de, em uma única página, tentar contar uma história tão rica já narrada no livro "Rodi Borghetti: A memória escrita", do autor Rossy Berny, onde os 90 e poucos anos de Borghettão estão registrados. Ali estão listados o 35 CTG, as inúmeras cavalgadas pelo mundo, sua presença em nossa cidade e na Fábrica de Gaiteiros, além do momento histórico em que fez o Papa João Paulo II se tornar gaúcho.
Hoje, guardo na minha memória os dois encontros que tive com ele, quando pude lhe levar dois desenhos retratando sua imagem. A humildade desse gigante me impressionou, pois ele achava que havia feito tão pouco para ser lembrado.
Entre a Vida e a Morte, desta vez, quem perdeu foi a Morte, pois Rodi é daqueles que jamais morrerá.