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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Giro Rápido

Quando curtidas se tornam pressão

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Jorn. Flávio Corrêa
Por Jorn. Flávio Corrêa
Quando curtidas se tornam pressão
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O que acontece com a mente de um adolescente quando ele sente que precisa ser aceito virtualmente para se sentir bem na vida real? Essa é uma das perguntas centrais da série “Adolescência”, da Netflix, que traz à tona um dos debates mais urgentes do nosso tempo: o impacto silencioso, mas profundo, que as redes sociais exercem sobre jovens e adolescentes. Em um mundo hiperconectado, onde likes, seguidores e visualizações parecem medir o valor de uma pessoa, a pressão emocional vivida por essa geração está atingindo níveis alarmantes.
 
Na série, vemos personagens lidando com inseguranças, crises de identidade, ansiedade, autoestima abalada e até quadros de depressão, tudo intensificado pelo ambiente digital. E isso não é ficção distante — é a realidade de milhões de jovens que crescem com o celular na mão e a autoestima dependente de validações online. As redes sociais, que deveriam ser espaços de conexão e expressão, muitas vezes se tornam vitrines de comparação, competição e cobrança. A busca por uma imagem “perfeita” e uma vida idealizada cria uma ilusão constante de que os outros estão sempre mais felizes, mais bonitos e mais bem-sucedidos.

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Pesquisas apontam que o uso excessivo das redes sociais está diretamente ligado ao aumento dos níveis de ansiedade, insônia, dificuldades de concentração e sensação de solidão entre adolescentes. Além disso, o cyberbullying, os comentários maldosos e a exposição pública de erros ou momentos íntimos têm gerado consequências emocionais graves. Os jovens, ainda em formação emocional e cognitiva, muitas vezes não têm ferramentas para lidar com a intensidade e a velocidade com que essas experiências acontecem.
 
Como especialista em marketing digital e comunicação, vejo o poder das redes sociais como algo ambíguo: ao mesmo tempo em que conecta, também pode ferir. O grande desafio é educar — não apenas os jovens, mas também pais, educadores e criadores de conteúdo — sobre o uso consciente e equilibrado dessas plataformas. 
 
Precisamos de uma cultura digital mais empática, que valorize a autenticidade em vez da aparência, e que incentive o diálogo, o cuidado e a saúde mental. A série “Adolescência” nos lembra que, por trás de cada perfil, existe uma pessoa em desenvolvimento, que precisa de acolhimento e orientação. Que essa reflexão não fique apenas na tela — que ela chegue à vida real.
Jorn. Flávio Corrêa

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