No nosso cotidiano e na nossa rotina, buscamos seguir os roteiros que fomos traçando em nossas vidas. Os escritores de literatura ou dramaturgia costumam descrever suas personagens com o máximo de detalhes possíveis, com a ideia de gerar identificação no seu público. Sempre que assistimos a uma novela, um filme, uma série ou quando lemos um livro, vez ou outra identificamos nas histórias pessoas que conhecemos.
Quando vejo nossa gente, por vezes tenho a impressão de que Barra do Ribeiro é uma história escrita, talvez por Érico Veríssimo ou até mesmo por Guimarães Rosa, pela vasta composição de nossas pessoas.
O Seu Pedrinho poderia muito bem ser um desses personagens. Quem não lembra de encontrá-lo nas esquinas da nossa avenida, montado em sua bicicleta roxa, com sua boina, sempre preparado para uma boa conversa? Conhecia cada pessoa que passava e os assuntos podiam ir do clima aos placares dos jogos, passando por qualquer notícia de âmbito nacional - e principalmente municipal. O Pedrinho era prosa garantida.
Pedro Carmona da Silva, nascido em 31 de janeiro de 1935, era barrense de nascimento e de criação. A família era popularmente conhecida como Maquiné. Tinha mais seis irmãos e, por volta dos 12 anos, trabalhou como servente de pedreiro com eles, e depois com os irmãos Hoff. Na juventude, partiu para a capital porto-alegrense, onde foi vendedor de sapatos, sendo o atendente favorito de um tal Lupicínio Rodrigues. Nos fins de semana, voltava para a Barrinha, onde continuava o serviço com os Hoff, realizando tarefas nos livros de registros.
Porém, o ofício em que permaneceu por mais tempo foi na antiga Caixa Econômica Estadual, que hoje compõe a Caixa Econômica Federal. Por lá, ficou cerca de 25 anos até sua aposentadoria.
Nesse meio tempo, no dia 17 de dezembro de 1960, casou-se com Eclair Terezinha Coelho, que atuou como professora na capital e, em nossa cidade, foi por muitos anos Presidente da Sociedade Espírita A União Faz a Força. O casal teve os filhos Geovani, Marcelo e Juliano - sendo este nosso entrevistado para esta história.
Após a aposentadoria, o casal veio morar definitivamente em nossa cidade, no sítio da família, onde por anos funcionou o armazém do seu Olavo e da dona Emília, propriedade comprada diretamente de Carlos Augusto Evangelista Py, que hoje dá nome a uma das avenidas da cidade.
Com o falecimento da esposa Eclair, o sítio foi trocado pela atual residência, na Marechal Floriano, em frente à antiga fundição. No mesmo ano, 2010, o casal completaria 50 anos de casamento.
Uma das curiosidades do Seu Pedrinho era que ele não gostava de dirigir. Preferia, segundo ele, ir de carona, vendo a paisagem e mexendo no rádio do carro. Mas, todos os anos, renovava a sua habilitação, caso fosse necessário.
Vale lembrar que ele participou, junto a Omar Salomon, Neco e Cacaio, da fundação e construção da sede do Juventus.
Seu Pedrinho faleceu no dia 21 de setembro de 2022. Mas confesso que, às vezes, me esqueço desse fato. Caminhando pelas nossas ruas, eu, que fui seu vizinho, tenho a impressão de que vou encontrá-lo pela esquina, apoiado em sua bicicleta roxa. Vida longa ao Seu Pedrinho!