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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Nossa Terra e Nossa Gente

José Norberto Soares de Souza

Beto da Tabacaria

Lucas Bonebergr
Por Lucas Bonebergr
José Norberto Soares de Souza
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A partir da transição da Antiguidade para a Idade Média, pelo crescente número de pessoas com o mesmo nome e pela confusão que isso gerava para qualquer tipo de registro, de censo ou de organização, fez surgir a necessidade de diferenciar uma pessoa da outra que tivesse o mesmo nome, nascendo assim os sobrenomes e os apelidos. Muitos desses eram associados às profissões. Por exemplo, se o João fosse ferreiro, seu apelido seria João o Ferreiro e, aos poucos, isso foi sendo simplificado para uma palavra só, surgindo o sobrenome Ferreira ou Ferraz, dependendo também de seu idioma e das adaptações locais. Esse prólogo diz muito sobre muitos apelidos de nossa cidade e, no caso do nosso personagem de hoje, estamos falando do seu Beto da Tabacaria.
 
José Norberto Soares de Souza nasceu no dia 28 de novembro de 1941, aqui mesmo em Barra do Ribeiro. Filho do Oscar de Souza e da Isaura Soares de Souza, iniciou seus estudos no Ginásio São José e foi, além de testemunha, parte do início da escola, com a chegada das irmãs Franciscanas Bernardinas, que vinham dos Estados Unidos. O que chamava um pouco de atenção das pessoas da época era quando testemunhavam suas conversas em inglês na escola. O Norberto foi colega de aula de Carlos Cesar, nosso futuro ministro.

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Ao completar a primeira parte do ginásio, como por aqui não tínhamos escolas com as demais etapas da educação básica, e estudar fora da cidade era um privilégio para os que tinham condições de pagar, o jeito foi trabalhar. E, já na infância, fez um pouco de tudo: trabalhou lavando tijolos e telhas, além de ser baleiro, ou vendedor de balas, nas sessões de cinema no nosso Cine Vera Cruz. Entre a troca de um filme para outro, eram acesas as luzes e, nesse intervalo, eram vendidas as balas e demais guloseimas para o público. Além destes, trabalhou junto com seu pai no Engenho dos Garcia — isso até chegar a época de prestar o serviço militar.
 
Mas quem pensa que só de trabalho viveu o rapaz se engana. A carreira futebolística foi marcada por atuar nos clubes de nossa cidade. Quando criança, junto aos seus amigos, atravessava o Arroio Ribeiro a nado para jogar futebol nos “Lara”. Pelos gramados de nossa cidade, defendeu as cores do Nacional, do Juventus, Atlético Três Vendas e no Canto do Rio, encerrando sua carreira com apenas 70 anos. Por sua vez, o time do coração é de muito bom gosto: o Sport Club Internacional, sendo um dos três primeiros a possuírem o título do clube, equivalente ao atual programa de sócio.
 
No seu retorno do serviço militar, voltou para o Engenho, por volta do ano de 1962. Mas, na busca por um serviço menos duro, seguindo conselho dos amigos, começou a mirar os concursos do banco. O jeito foi se preparar: com uma máquina emprestada pelo Dr. Wilmar Bichoff e o livro de instruções, à noite, após o trabalho, iniciou seus estudos. Esforço que foi recompensado. No banco, por aqui, trabalhou na função de escriturário, ou datilógrafo, por volta do ano de 1963.
 
Nesse meio tempo, entre o futebol e o carnaval — outra de suas paixões —, a qual foi carnavalesco no Fidalgos do Samba e diretor de carnaval na Vira Mundo, onde também fez samba-enredo, ele conheceu a Tania, com a qual casou-se e teve os filhos Edinho, Giba, Patrícia, Fabiano e a Betânia.
 
O casal morou dois anos em Porto Alegre. Ao retornar para Barra, entrou para os negócios da família, a Tabacaria, junto aos irmãos Claudio e Antonio Carlos. Como os dois não moravam por aqui, aos poucos foi tocando o negócio sozinho, dividindo o balcão com a dona Tania. A Tabacaria Souza já soma seus 40 anos, onde já foi Lan House, palco para música e ponto de encontro no cotidiano barrense.
 
O seu Beto, a dona Tania e, claro, a Tabacaria Souza são parte importante da nossa história. Além de um dos pontos de encontro, como já mencionado anteriormente, temos a testemunha viva de muitos acontecimentos que fazem parte do que somos como cidade e sociedade. Sociedade essa que tem sempre muita história para contar — e que bom que podemos ouvir as histórias do seu Beto.
Lucas Bonebergr

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