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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

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Homeschooling no Brasil?

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Eduardo Fraga
Por Eduardo Fraga
Homeschooling no Brasil?
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Novamente acontecem campanhas e debates na Câmara Federal com a intenção de aprovar e regulamentar a Educação domiciliar no Brasil. Quem propõe essa questão desconhece a realidade da atual sociedade e da Educação brasileira ou, talvez, há muito tempo não visita uma escola.

Desde já, como profissional da Educação, expresso minha preocupação com esse fato, que, por óbvio, vai contra o que realmente precisamos em relação à Educação no Brasil.

O mais triste disso tudo é que há tantas outras questões ainda mais importantes esperando debates e ações no Congresso e, a elas, não é dada a mesma atenção!

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Nossos nobres deputados federais esquecem que a Educação formal nas escolas vai além da alfabetização, dos conteúdos, de aprender a ler, escrever, interpretar e calcular, o que, por si só, já é muito complexo. Não será uma pessoa com curso superior fora da área da Educação, sem a qualificação específica e necessária, que dará conta de educar uma criança, o que, por certo, acontecerá em muitos lugares se a lei for aprovada. Imaginem aas casas onde o pseudoeducador nem curso superior possui!

Também esquecem os nobres que as crianças e os adolescentes precisam da escola como palco para sua sociabilidade, onde aprenderão a observar, a conviver, discutir, posicionar-se, respeitar o diferente e o contraditório. Isso é cidadania, que só será alcançada no convívio diário com o coletivo e por certo, tentará fazer diariamente as atividades de professor, mas sabemos que isso não acontecerá em sua plenitude, por motivos óbvios e já citados!

É na escola que o ser humano se constrói como tal e também como ser social, pois é lá que ele enfrenta desafios, é colocado frente a responsabilidades, aprende a ouvir, respeitar, cumprir seus deveres e exigir seus direitos no processo democrático e social. Mas talvez seja este o problema e o temor de alguns governantes e, por isso, alguns propõem "fechar" os estudantes em casa, impedindo-os de serem sociais, de pensar e se expressar de maneira lógica, inteligente, questionadora e autônoma! Penso, logo, existo! Não é mesmo?

Quem optar por este modelo de ensino, se o projeto for aprovado, correrá o risco de colocar seus filhos sob orientação de alguém não habilitado e, se habilitado, sem a socialização que a escola proporciona. Se isso acontecer, fica o questionamento: que indivíduos teremos no futuro?

Outra questão muito importante: como ficarão as crianças com dificuldades educacionais especiais, que frequentam as escolas e são atendidas por profissionais especializados? Terão o mesmo estímulo e desenvolvimento em casa? E aquelas cujas dificuldades e transtornos só os professores, pedagogos, psicopedagogos e psicólogos identificam e posteriormente alertam os responsáveis, muitas vezes recebendo a resistência dos mesmos em aceitar essa realidade? Como ficarão? E os superdotados que a escola também identifica? São tantas as diversidades em uma escola...

Será que, sendo educadas em casa, essas crianças e adolescentes receberão uma alimentação adequada e balanceada, como na escola, que contribui tanto para a construção de seus hábitos alimentares e sua saúde? É na escola que os estudantes mudam ou ajustam os seus hábitos alimentares que levarão para toda a vida!

Esta reflexão precisa ser feita com muita propriedade, não apenas no campo político e ideológico!

Definitivamente não é esse tipo de Educação que nosso país precisa. Ao contrário do Homeschooling, precisamos é de investimentos maciços em Educação, inclusive com um novo ajuste nos cursos superiores de formação a distância, EAD, que, no formato em que estão, ainda não só o ideal. Mas isso não é do interesse de alguns ou muitos, por motivos óbvios!

Agora é esperar pela lucidez do Congresso Nacional para que este projeto seja rejeitado, principalmente com base na sua inconstitucionalidade, pois a Constituição brasileira garante o direito às crianças e adolescentes de frequentarem a escolas e, assim, construírem-se coletivamente como seres locais, racionais, autônomos e preparados para o mundo do trabalho, conforme a LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional).

Homeschooling não é para o Brasil que temos hoje!

Eduardo Fraga

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