O Rio Grande do Sul perdeu neste domingo, 2 de agosto, um de seus mais importantes representantes da cultura regional. Morreu, aos 86 anos, o músico, compositor, folclorista e tradicionalista Bagre Fagundes, nome artístico de Euclides Fagundes Filho. Até o momento, a família não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento.
Natural de Uruguaiana e criado em Alegrete, Bagre recebeu ainda na adolescência o apelido que o acompanharia por toda a vida artística. Ao longo de décadas, construiu uma trajetória marcada pela defesa das tradições gaúchas, atuando também como advogado, vereador em Alegrete, jogador e árbitro de futebol, presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e colunista do Diário Gaúcho.
Seu nome está eternizado na história da música regional por ser um dos autores de "Canto Alegretense", ao lado do irmão Nico Fagundes. Lançada no início da década de 1980, a canção ultrapassou as fronteiras do tradicionalismo e tornou-se um dos maiores símbolos da identidade cultural do Rio Grande do Sul, sendo considerada por muitos um verdadeiro hino não oficial dos gaúchos. Ao longo dos anos, foi regravada por diversos artistas e até executada por músicos internacionais.
Nos últimos anos, Bagre seguia em atividade ao lado dos filhos Ernesto, Neto e Paulinho, integrando o grupo Os Fagundes, referência na preservação e divulgação da música regionalista. Em 2019, recebeu o Troféu Origens em reconhecimento à sua contribuição para a cultura gaúcha. Casado com Marlene Vilaverde, deixa quatro filhos, além de um legado que atravessa gerações.
Em maio deste ano, o tradicionalista chegou a ser internado após sofrer uma parada cardiorrespiratória decorrente de um engasgo, mobilizando uma corrente de orações em todo o Estado. Desde então, seu estado de saúde inspirava cuidados.
Com sua partida, o Rio Grande do Sul perde um dos principais guardiões de sua cultura, mas mantém vivo um legado construído por meio da música, da pesquisa e da valorização das tradições que marcaram sua trajetória.