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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Nossa Terra e Nossa Gente

Eduardo Gelinski da Silva

O Bodinho

Lucas Bonebergr
Por Lucas Bonebergr
Eduardo Gelinski da Silva
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Há um velho ditado que diz: filho de peixe, peixe é. Mas, no caso do nosso personagem de hoje, podemos fazer uma versão genuinamente barrense, em um costume próprio de nossa gente — no caso, os apelidos. Por assim dizer, o nosso ditado seria dito assim:

"O filho do seu Bode, Bodinho é."

Assim como o seu Bode, o Luís Carlos da Silva, o Bodinho também tem um nome: Eduardo Gelinski da Silva, que, além do seu Bode, é filho da dona Regina e nasceu no dia 13 de fevereiro de 1973, no agora conhecido como antigo hospital, atual Fórum da cidade, podendo bater no peito e dizer que é um legítimo barrense. A sua infância não foi diferente dos demais: estudou no então Ginásio São José, onde fez o primeiro grau, e o segundo, no Colégio Dr. Carlos Pinto.

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Assim como o pai, gostava de mexer com qualquer tipo de motor, de barco a caminhão, o que, mais tarde, resultaria em um de seus negócios. Mas antes, ainda na adolescência, trabalhou na churrascaria "A Carreta" e, desde pequeno, atuou no movimento tradicionalista, participando das invernadas do CTG Pealo da Tradição, que, além das diversas apresentações, fez parte da equipe que venceu o rodeio do Gomes Jardim, na vizinha Guaíba.

O já citado gosto pelos motores resultou em seu primeiro negócio, Bodinho Autopeças, ao qual se dedicou durante 10 anos. Quando os carros de nossa cidade deixaram de ser os nacionais — Fusca, Brasília e Chevette — e passamos a receber os carros da Renault e Fiat, o negócio perdeu a força. Foi quando resolveu trabalhar em Porto Alegre. Na capital, dedicou-se ao ramo da marmoraria. Inicialmente, trabalhou na empresa Italveneto. Tempo depois, prestou serviço por conta para empresas de outros estados do mesmo setor, sendo representante da mesma. Vendendo mármores e basalto, chegou a trabalhar novamente em mais uma empresa, até se tornar necessário o seu retorno para nossa cidade: uma certa Bodeguita.

Retornando para a terrinha, junto aos pais, Regina e Bode, a irmã Heloísa, a namorada Maria Rita e o filho Bernardo, a Bodeguita foi nascendo, e hoje temos um lugar que eu definiria pela palavra "nostálgico". Lá, além da decoração que nos remete à nossa cultura, é possível comprarmos produtos artesanais, onde é possível encontrar bolos, doces, cucas e salames. Tem algo mais nostálgico do que isso?

Na Bodeguita, o Eduardo pode também aproveitar para dar vez a outra de suas paixões: a música. Com sua aparelhagem montada da época em que fez serviços colocando sons em bailes e festas, vez ou outra o local é cenário do Vozes do Sul, que tem como âncora o nosso já biografado Candinho Feijó, recebendo as produções de Márcio Padula e Pedro Rocha, dando voz e vez à nossa arte.

A obra História do Eduardo é uma daquelas que precisamos fazer sempre questão de lembrar. Quem dedica tempo a guardar lembranças, cultura e arte, como ele tem feito, é mais do que digno de nossa gratidão. Torcemos muito pelo progresso de nossa cidade, mas, com ele, algumas coisas são inevitáveis — entre elas, a perda da nossa proximidade e, o mais triste, o esquecimento das pessoas. Ou seja: obrigado, Eduardo, obrigado, Bodinho, e vida longa à Bodeguita!

Lucas Bonebergr

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Lucas Bonebergr

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