O Rio Grande do Sul é uma história contada pelo céu, pelo sol, pelo sul, pela terra e pela cor. Entre esses elementos, existiram e existem pessoas que são testemunhas dessa escrita e, muitas vezes, escrevem os versos que estão na melodia do sul do nosso mundo. Barra do Ribeiro também tem desses que, além de serem conhecedores da lida gaúcha, cantam e contam o próprio Pampa. Um deles é o Candinho.
Nascido em 9 de julho de 1961, filho de Júlio Ribeiro Feijó e de Nadir Ignacio Feijó, desde a infância conheceu a lida do campo ao lado do pai, que era agricultor. Ele e seus 12 irmãos tiveram o trabalho como primeiro ensinamento: tiravam leite, tratavam porcos, capinavam na lavoura e faziam tudo o que fosse necessário. As escolas eram distantes, e cada ida era uma verdadeira jornada. Isso acontecia quando ainda viviam na região de Charqueadas. Mais tarde, quando a família se mudou para Barra do Ribeiro, a caminhada até a escola continuava sendo longa, pois ir da Barba Negra até a aula significava mais uma viagem de ida e outra de volta.
As brincadeiras da infância eram as tradicionais: pega-pega, esconde-esconde e, claro, o futebol. Tudo sob a luz do sol durante o dia e de lampião à noite.
Na juventude, o trabalho seguiu como rotina. Morar no campo significava trabalhar de segunda a segunda. Os rodeios de fevereiro no CTG Pealo da Tradição eram o grande evento da cidade. Quando veio morar na zona urbana, trabalhou na construção civil, onde aprendeu muito sobre o ofício. O lazer eram os bailes no Clube 7, em um tempo em que se podia dormir de janela aberta e porta destrancada.
A música, por sua vez, chegou devagar. Nos rodeios, observava os trovadores e músicos e pensava: "Isso eu sei fazer". Já casado com Ângela, decidiram entrar para a invernada do CTG Pealo da Tradição. Por lá, surgiu a necessidade de um declamador e trovador, e dali para frente não teve mais volta. Entre vitórias e derrotas, foi pegando gosto, e como ganhava mais do que perdia, fez seu nome como trovador. Mais tarde, aprendeu a tocar violão e logo vieram as primeiras composições. Gravou seu disco pela gravadora Liberdade e participou de diversos programas. Por conhecer a lida do campo, canta e conta com propriedade a música gaúcha.
Assim como seus versos do retorno do pescador, como o água-pé, se desprendeu e não viu nenhum limite para fazer a sua arte. Seguindo o curso do mundo, sua obra está além dos palcos e discos, alcançando também o mundo da internet. No Instagram e no YouTube, com seu programa Vozes do Sul, recebe convidados para uma boa prosa e, claro, música gaúcha.
