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Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Nossa Terra e Nossa Gente

Andreza Rocha de Antoni Budelon

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Lucas Bonebergr
Por Lucas Bonebergr
Andreza Rocha de Antoni Budelon
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Ao longo da evolução da espécie humana, um dos fatores determinantes para nossa continuidade foi a domesticação dos animais. Os primeiros foram os canídeos, por meio dos lobos domesticados que passaram a auxiliar os seres humanos na segurança, na caça e, posteriormente, no pastoreio.

Com o passar do tempo, além dos cães, somaram-se à nossa história os cavalos, o gado, os caprinos e as aves. Dessa convivência entre seres humanos e animais, fomos percebendo, aos poucos, que eles também necessitam de cuidados básicos, saúde e dignidade.

Embora filósofos da Grécia Antiga, como Pitágoras e Plutarco, já defendessem o respeito aos animais, foi somente no século XIX que surgiram as primeiras leis e organizações voltadas à sua proteção. Em 1822, o Parlamento Inglês aprovou a Lei de Martin, considerada um marco no combate aos maus-tratos, e, dois anos depois, foi criada a Society for the Prevention of Cruelty to Animals (SPCA), que posteriormente receberia o título de Royal com o apoio da Rainha Vitória.

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A causa animal tem ocupado cada vez mais espaço nos debates da sociedade. Diversos casos de maus-tratos, abusos e crueldades são registrados diariamente no Brasil e no mundo. Em Barra do Ribeiro, essa causa encontrou uma de suas principais defensoras na figura de Andreza Rocha de Antoni Budelon.

Andreza Rocha de Antoni Budelon, nascida em 6 de maio de 1987, é filha de Carlos Zilmar Fraga de Antoni e Eronita Costa da Rocha. Como muitos moradores de nossa região, nasceu no Hospital Livramento, em Guaíba, mas foi criada em Barra do Ribeiro. Sua trajetória educacional iniciou na Escola Francisco Rosales Neumann, onde estudou até o 5º ano. Posteriormente, teve uma breve passagem pela Escola Fernando Hoff e também estudou durante um ano em Porto Alegre, acompanhando uma mudança profissional de seu pai.

O sobrenome Budelon já apareceu por aqui quando contamos as histórias de Jorge e Josué Budelon, este último marido de Andreza.

O Ensino Médio foi cursado no Colégio Carlos Pinto. No entanto, essa etapa de sua trajetória escolar foi marcada por duas interrupções em razão da maternidade. A primeira gestação, infelizmente, não pôde ser levada adiante, mas a segunda trouxe uma grande alegria para sua vida: o nascimento de sua filha Yasmin.

Antes de ingressar definitivamente na advocacia, trabalhou em escritório de contabilidade, atuou como manicure e, ao iniciar a graduação em Direito, residiu por um período em Porto Alegre. Nesse período, trabalhou no IPE, no Fórum de Guaíba e também no Cartório Eleitoral. Em 2010, abriu seu escritório em parceria com Josué, mas foi a partir de 2014 que passou a dedicar-se integralmente à profissão.

Em meio a toda essa trajetória, a vida pessoal e profissional sempre estiveram conectadas ao amor pelos animais. Muito antes de a causa animal se tornar uma bandeira pública, os bichos já faziam parte de seu cotidiano. Da infância aos dias atuais, os animais estiveram presentes em sua vida. Mesmo quando o casal morava em apartamento, já realizava resgates de cadelas com filhotes, cães atropelados, gatos abandonados e outros animais em situação de vulnerabilidade, promovendo sua recuperação e posterior adoção.

Assim como aconteceu com muitos de nós, as enchentes de maio de 2024 transformaram profundamente sua rotina. Naquele momento, ela esteve diretamente envolvida no resgate de animais abandonados ou perdidos em decorrência da tragédia. Em parceria com o guaibense Guilherme Webkoski, ajudou a organizar abrigos destinados a acolher os animais resgatados. Pelo trabalho realizado, recebeu recentemente uma homenagem da Câmara de Vereadores de Eldorado do Sul.

Durante esse período, recebeu uma importante doação de cargas de ração da vereadora Bruna Molls, de Santa Cruz do Sul. A experiência vivida durante as enchentes também a fez reconsiderar algo que antes não fazia parte de seus planos: ingressar na política. Com o objetivo de ampliar sua capacidade de atuação em defesa da causa animal, lançou sua candidatura praticamente nos momentos finais do processo eleitoral, contando com o apoio daqueles que compartilham da mesma sensibilidade pela proteção dos animais.

Eleita pelo PSDB com 265 votos, viu seu trabalho se expandir ainda mais. Desde então, apresentou diversos projetos voltados à proteção animal, entre eles a criação de uma Casa de Passagem para animais resgatados, o Censo Animal, o Fundo Municipal de Proteção Animal e a proposta de criação de uma Secretaria ou Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal. Entre as iniciativas aprovadas e transformadas em lei municipal, destaca-se a proibição do uso de fogos de artifício com estampido, medida que beneficia não apenas os animais, mas também pessoas com sensibilidade auditiva e condições atípicas.

Além dos projetos apresentados, sua atuação também tem sido marcada pelo acompanhamento de denúncias, auxílio em resgates e articulações junto ao poder público para ampliar a discussão sobre políticas permanentes de proteção animal no município.

Entre os projetos apresentados durante seu mandato, o mais lembrado certamente foi a proposta de proibição do uso de chicotes por carroceiros que utilizam cavalos em atividades de tração animal no município. A iniciativa estava alinhada a um debate cada vez mais presente em diversas cidades brasileiras sobre a necessidade de conciliar atividades tradicionais com práticas que garantam o bem-estar dos animais.

Embora o projeto tenha sido rejeitado pela Câmara de Vereadores, a repercussão foi significativa. O tema ganhou destaque regional e nacional, sendo debatido por veículos de comunicação, influenciadores e representantes políticos de diferentes partes do país.

O que muitas pessoas desconhecem, entretanto, é que grande parte dos custos relacionados aos animais resgatados — incluindo atendimento clínico, tratamento veterinário, alimentação e recuperação — tem sido custeada com recursos próprios da vereadora. Cães, gatos, cavalos, coelhos e até animais silvestres fazem parte dessa extensa lista de atendimentos.

Atualmente, a dívida acumulada junto à clínica veterinária parceira gira em torno de R$ 17 mil. Mesmo com as doações recebidas e o apoio da comunidade, os custos continuam elevados. Para aqueles que desejarem contribuir, as doações podem ser realizadas por meio do Pix: 008.518.180-30.

O trabalho de Andreza, seja como vereadora ou como advogada, tem demonstrado que toda causa justa merece dedicação. Entretanto, poucas causas exigem tanto comprometimento quanto aquelas que defendem seres que não possuem voz para se defender.

Em uma época em que inúmeras pautas disputam espaço e atenção, Andreza escolheu dedicar seu tempo, seus recursos e sua voz àqueles que dependem da sensibilidade humana para serem protegidos. Independentemente das opiniões políticas ou dos debates que suas propostas possam gerar, sua trajetória demonstra que a defesa dos animais vai muito além dos discursos: trata-se de um compromisso diário construído por meio de ações concretas, persistência e dedicação.

Lucas Bonebergr

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Lucas Bonebergr

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