Sempre tive curiosidade a respeito dos leitores desta coluna.
Gostaria de saber quem são, o que sentem, o que pensam quando leem as palavras que coloco neste espaço.
Entretanto, hoje a pergunta está ligada a uma série de vídeos que estou acompanhando.
São vídeos da psicanalista Andrea Vermont que podem ser encontrados nas redes sociais mais conhecidas. O assunto em pauta é sobre psicanálise sem complicações, exercícios e testemunhos que ajudam a ver uma nova perspectiva a respeito da gente mesmo e das coisas que nos acontecem e do que “escolhemos” fazer com isso.
Em um desses vídeos ela faz o seguinte questionamento: quem é você quando ninguém está vendo você?
Estou aqui pensando se, alguma vez, o leitor já se fez esta pergunta.
Quando pensei a respeito, me veio à mente um fato que ocorreu quando era jovem há menos tempo.
Minha mãe falava que era muito feio dançar de rosto colado ou muito perto de um rapaz nos bailes daquela época.
Uma ocasião, como dizia meu pai, tive a oportunidade de ir a um baile em outra cidade e minha mãe não estava junto. Um jovem de quem gostava muito me convidou para dançar. Depois de alguns minutos, ele tentou me trazer para mais perto, feliz e assustada com a novidade, pensei:
- A mãe não está aqui, posso fazer o que quiser que ela não vai ficar sabendo.
Então… Educadamente, com a mão no ombro do rapaz e o coração batendo a mil, impedi que a aproximação tão sonhada acontecesse.
Não tive coragem de desobedecer minha mãe. Senti como se estivesse cometendo um ato errôneo demais de acordo com a formação que recebi.
Se me arrependo do que fiz? Claro que sim, considerando que estava apaixonada…
Depois de muitos anos, minha mãe me pediu que não fizesse determinada coisa e respondi que iria contrariar a sua orientação. Sei que ela ficou bem aborrecida comigo. Se me arrependi? Desta vez não…
Quem eu sou quando ninguém está me vendo? Às vezes sou melhor, outras vezes pior ou diferente do que pensam, porém cada vez mais procurando ser fiel a minha essência, esteja só ou acompanhada.