Há certos momentos na vida que marcam o passado e quando a gente menos espera a lembrança nos atinge e passamos a viver, em nosso pensamento, aquilo que nunca mais será do jeito que foi.
Existem pequenas coisas no cotidiano que costumava fazer da maneira mais natural e comum, até que, sem saber porque fui jogando o hábito para outro lado e… lá se foi o que era fácil de realizar.
Há músicas que estão gravadas em nosso coração, em nosso pensamento e, ouso dizer, em nosso mundo inconsciente. Então, eis que de repente a referida música salta da mente para a garganta e, quase sem perceber, as cordas vocais estão tentando da melhor maneira possível reproduzi-la.
Hoje, a mais velha das criaturas angélicas que acompanham minha vida diária, me fez uma pergunta e respondi com uma música do Rei Roberto Carlos para esclarecer para a referida criatura que nada do que foi será do jeito que já foi um dia.
Fui tomar banho. Abri a torneira da água e junto com ela minha boca se abriu. Do chuveiro jorrou água quentinha e gostosa, dos meus lábios saíram de forma desajeitada e tosca a melodia guardada há tanto tempo no cérebro e no coração.
“Daqui pra frente, tudo vai ser diferente… Você tem que aprender a ser gente. O seu orgulho não vale nada, nadaaaaaaaa.”
Acontece que me empolguei e fui alargando a voz e cada vez mais tentando cantar a bendita sem lembrar da letra, fazendo aquele célebre na na na na na para ver se atiçava o fogo da recordação e conseguia finalizar meu íntimo espetáculo.
Espero que ninguém tenha ouvido, pois poderia suspeitar de que estava passando mal ou coisa semelhante.
Não me deixei intimidar por esta crítica imaginária e continuei.
“Você não sabe e nunca procurou saber, que quando a gente ama pra valer, o bom é ser feliz e mais nadaaaaa nadaaaa…
Como podem ver ou ler, ainda continuo bem entusiasmada.
Para falar a verdade, fiquei muiiiiiiiiiito feliz de me ouvir cantando outra vez no chuveiro. Será um bom sinal?