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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Nas Entrelinhas

A coragem de ser imperfeito

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Ana Maria W. Ribeiro
Por Ana Maria W. Ribeiro
A coragem de ser imperfeito
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Olhando para a página em branco, com o pensamento da mesma cor, sem nenhuma palavra interessante para começar o texto, tive a ideia de tomar uma atitude só para ver o resultado.

Solicitei à IA (Inteligência Artificial) que iniciasse uma crônica com o mesmo título desta que você, leitor, espero que esteja lendo.

Eis, um pouco do que esta fascinante, poderosa e amedrontadora ferramenta escreveu:

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"Outro dia, tropecei na calçada e quase fui ao chão. Olhei ao redor, procurando testemunhas do meu tropeço. Ninguém. Suspirei - aliviada - como se esconder a minha imperfeição fosse uma vitória. Mas depois ri de mim mesma. Por que temos tanto medo de sermos humanos?"

Não contente com este preâmbulo bem criativo, na minha opinião, a tal da IA ainda me pergunta se quero que ela continue ou se desejo continuar eu mesma.

Pedi que continuasse, para ver o que ela iria escrever.

Sem vergonha nenhuma, em questão de segundos ela criou o seguinte parágrafo.

"Ser imperfeito exige coragem. Coragem para pedir desculpas, para dizer 'não sei', para falhar diante dos outros e mesmo assim continuar. Coragem para dizer 'estou cansado', 'estou triste', 'preciso de ajuda'. Coragem para ser quem se é, sem verniz".

Continuei conversando com a criatura artificial e ela foi ganhando força e se largou a dissertar sobre o assunto, só parando de vez em quando para me questionar se queria finalizar ou preferia que ela o fizesse.

Caros leitores, tenho coragem suficiente para dizer que me senti tentada a copiar e colar e fingir que tinha escrito o texto. Entretanto, aprendi com meus pais a falar a verdade, pois confiança é algo muito valioso que quando perdido é difícil conquistar de novo.

Se tivesse copiado aqui o texto escrito pela IA, ninguém duvidaria de mim e a autoria seria, sem dificuldade, creditada na conta da minha escrita.

Esta possibilidade criou em mim uma sensação de medo, insegurança, pois fiquei imaginando se contando o que fiz o leitor confiaria em que sou eu mesma que escrevi, como venho fazendo durante estes mais de vinte anos nesta coluna.

Tenho minha própria inteligência, desenvolvida nos bancos das escolas e da faculdade, sem contar a Vida que foi me ensinando as melhores e piores lições.

Confesso, outra vez, que me deu uma vontade enorme de xingar esta tal de IA e mandá-la plantar batatas, sem querer ofender as batatas...

Como sou educada, resolvi fazer do meu jeito, aproveitando o que me foi sugerido porque concordei em quase tudo, então, termino assim.

Mas há uma liberdade imensa quando a gente aceita que não precisa acertar o tempo todo. Que pode viver com rascunhos, dias cinzentos e palavras mal ditas. Que pode se refazer. Que ser humano é, acima de tudo, ser inacabado. Talvez a gente só encontre a paz quando parar de querer ser obra-prima e se permitir ser processo. Incompleto, sim. Mas honesto. Verdadeiro. Vivo.

Gracias, IA.

Ana Maria W. Ribeiro

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Ana Maria W. Ribeiro

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