A sessão da Câmara de Vereadores de Barra do Ribeiro realizada na noite de quinta-feira (17) foi marcada por discussões acaloradas e pela forte presença de público, em razão da votação de um Projeto de Lei que dividiu opiniões entre parlamentares e moradores. Apresentado pela vereadora Andreza Budelon, o projeto propunha a proibição do uso de chicotes ou outros objetos para açoitar animais utilizados em veículos de tração animal no município.
Na justificativa anexa à proposta, a parlamentar argumentou que o objetivo da medida era “assegurar a proteção e o bem-estar dos animais”, combatendo práticas consideradas como maus-tratos e promovendo uma relação mais humanitária entre condutores de carroças e os animais. O texto também previa ações educativas e apoio social aos trabalhadores da área.
Antes mesmo da sessão, o vereador Juliano Duarte utilizou suas redes sociais para manifestar posicionamento contrário à proposta. Em vídeo, ele destacou que a proibição impactaria diretamente a vida de dezenas de trabalhadores que utilizam carroças como meio de sustento.
Durante a sessão, a discussão se estendeu e provocou reações entre os presentes. Em praticamente todos os discursos feitos na tribuna, os parlamentares reforçaram ser contrários a maus-tratos contra os animais. No entanto, parte do plenário entendeu que o uso do relho, embora polêmico, ainda seria necessário para a condução dos veículos de tração e que uma proibição total poderia inviabilizar a atividade.
Com quatro votos favoráveis e quatro contrários, o projeto acabou empatado. Coube ao presidente da Mesa Diretora, vereador Juliano Duarte, o voto de minerva — que decidiu pela rejeição da proposta, totalizando cinco votos contrários.
Os votos pela aprovação foram dados pela proponente, vereadora Andreza Budelon, e pelos vereadores Cláudia da Silva, Andréa Ribeiro e Lucas Campos. Pela reprovação da matéria, votaram Cirineu Iplinski, Viviane Leite, Patrícia Ramos e Roseli Souza.
O resultado gerou manifestações de apoio e crítica, tanto no plenário quanto nas redes sociais, evidenciando a complexidade do tema e os desafios em conciliar a proteção animal com a realidade socioeconômica de parte da população. Embora rejeitado, o debate levantado pelo projeto trouxe à tona a necessidade de continuar discutindo formas de garantir o bem-estar animal sem desamparar trabalhadores que dependem da tração animal como meio de subsistência.