Longe de mim ficar semelhante àquela rainha má de uma história bem conhecida de todos.
Longe de mim ficar indagando ao espelho se existe alguém mais bela do que eu. Nem sou louca de fazer isto, pois sei que ele me mostraria uma longa lista de beldades.
Não sou muito fã de espelhos. Eles sempre me indicam alguma imperfeição nova na qual não tinha reparado ainda.
Minha sombra é meu espelho. Sim, não se assombre ao ler estas palavras.
Descobri esta utilidade da sombra faz pouco tempo.
Andava pela calçada, quando me deparei com a sombra caminhando à minha frente. Observei o contorno da cabeça e lembrei que tinha esquecido de pentear o cabelo.
Esta sou eu...
Passei a mão pela cabeça e fui ajeitando os rebeldes fios tendo como parâmetro minha fiel companheira.
Outro dia, caminhando pela rua, observei, novamente, meu contorno na calçada.
Fiquei feliz com o que vi.
Minha cabeça apresentava um contorno perfeito. Nenhum fio de cabelo fora do lugar.
Se a cabeça está bem, todo o resto também deverá estar. Pelo menos é o que presumo.
Diferente do espelho de vidro ou cristal, a sombra me mostra de maneira clara o que posso consertar sem a necessidade de olhar minha imagem falando para mim que quase tudo precisa ser rearrumado.
Foi assim que elegi a sombra para ser meu reflexo.
Os desavisados podem achar estranho ou bizarro, talvez porque nunca olharam para sua sombra com o devido cuidado.
A sombra, por si só, já nos presta um grande serviço, pois quando podemos vê-la significa que estamos de costas para a luz, assim ela nos avisa, se olhamos demais para ela, que está na hora de voltarmos o rosto para a Luz e iluminar o semblante e o coração.