O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defendeu oficialmente, nesta semana, a volta do horário de verão como estratégia para preservar a estabilidade do sistema elétrico brasileiro diante da projeção de aumento acelerado na demanda por energia. A proposta integra o Plano da Operação Energética (PEN 2025), divulgado hoje, 9 de julho, que reúne um conjunto de recomendações técnicas com foco na segurança energética do país.
De acordo com o relatório, a carga do sistema elétrico nacional deve crescer 14,1% até 2029, impulsionada por fatores como a popularização dos veículos elétricos, a ampliação de data centers, o uso crescente de ar-condicionado e a expansão industrial. Esse cenário exige medidas para evitar sobrecargas, especialmente nos horários de pico de consumo.
Entre as propostas, a retomada do horário de verão aparece como uma ação de baixo custo e alto impacto. O ONS destaca que adiantar os relógios em uma hora nos meses mais quentes permitiria melhor aproveitamento da luz natural no final da tarde, ajudando a aliviar a pressão nas chamadas "rampas de carga", quando há simultaneidade entre o aumento do consumo e a queda na geração solar.
A medida vigorou por décadas e foi suspensa em 2019, durante o governo Bolsonaro, sob o argumento de que seu impacto havia diminuído. Agora, com a maior participação de fontes intermitentes na matriz energética (como a solar e a eólica), o operador entende que o horário de verão pode voltar a ser benéfico, especialmente para suavizar picos de demanda.
O relatório do ONS também destaca a necessidade de ampliar a capacidade de geração das usinas termelétricas a partir de outubro de 2025, quando se espera maior pressão sobre o sistema. Além disso, recomenda a realização de leilões anuais de contratação de potência firme, com o objetivo de garantir fornecimento seguro em momentos críticos.
Outro ponto abordado no PEN 2025 é a modernização das ferramentas computacionais usadas para planejamento e simulação do sistema. Com o avanço das tecnologias e a complexidade crescente da matriz energética, o ONS avalia que é fundamental investir em inteligência digital para antecipar riscos e estruturar decisões com base em dados mais precisos.
A recomendação sobre o horário de verão será analisada pelo Ministério de Minas e Energia e pela Presidência da República. Em meio a uma agenda mais voltada à transição energética, especialistas avaliam que o governo Lula pode retomar a medida como parte de sua estratégia climática, conciliando eficiência energética, sustentabilidade e segurança no fornecimento.