O avanço do projeto de instalação da nova planta industrial da CMPC, em Barra do Ribeiro, enfrenta um capítulo de incerteza. No início deste mês de março, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a FEPAM suspenda os processos de licenciamento ambiental relacionados ao chamado “Projeto Natureza”.
A medida, segundo o MPF, tem como base a necessidade de consulta formal às comunidades indígenas possivelmente impactadas pelo empreendimento, conforme prevê a legislação vigente. O órgão entende que essa etapa deve ser cumprida antes de qualquer definição sobre a viabilidade ambiental da obra.
Impacto regional e preocupação política
O projeto da CMPC é considerado o maior investimento privado da história recente do Rio Grande do Sul, com estimativa de cerca de R$ 24 bilhões. Além de Barra do Ribeiro, municípios como Guaíba e Rio Grande estão entre os que mais se beneficiariam economicamente com a instalação da nova planta industrial.
Diante da recomendação do MPF, lideranças políticas da região passaram a se manifestar publicamente de forma contrária à suspensão dos licenciamentos, apontando impactos diretos no cronograma das obras e no ambiente de negócios.
Em entrevista à colunista Giane Guerra, do jornal Zero Hora, o prefeito de Barra do Ribeiro, João Francisco Feijó, destacou a expectativa da comunidade local em torno do empreendimento. “Chegou a vez de Barra do Ribeiro crescer”, afirmou o chefe do Executivo, reforçando o sentimento de esperança que envolve a população diante do investimento.
Já o prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, demonstrou preocupação com os reflexos da recomendação no cenário econômico do Estado. Segundo ele, há risco de criação de um ambiente de insegurança jurídica capaz de afastar investidores do Rio Grande do Sul. Maranata também defendeu a união entre lideranças políticas e empresariais em prol da concretização do projeto, ressaltando o potencial de desenvolvimento regional, especialmente após os impactos causados pela enchente de 2024.
Prazo e indefinição
O prazo estabelecido para que a FEPAM se manifeste oficialmente sobre a recomendação do MPF se encerra nesta quinta-feira, 19 de março. Até o momento, a fundação ainda não divulgou uma definição sobre o tema.