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Sabado, 30 de Maio de 2026

Mural Cultural

Sepé Tiaraju - 269 anos de história

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Eduardo Fraga
Por Eduardo Fraga
Sepé Tiaraju - 269 anos de história
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O Brasil tem o hábito de esquecer seus heróis e seus feitos na história, mas no caso de Sepé Tiaraju, líder indígena nas guerras guaraníticas, de 1750 a 1756, século XVIII, nas Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, acredito que foi diferente.
A Igreja Católica, por conta da Reforma Protestante na Europa do século XVI, diminuiu de tamanho, mas reagiu, criando a Companhia de Jesus, uma organização religiosa que tinha por objetivo buscar novos adeptos à sua religião.
Os padres jesuítas vieram para o Brasil e fundaram as Missões Jesuíticas no Sul do Brasil e da América do Sul, depois de séculos de desenvolvimento e estruturação social, os governos de Portugal e Espanha decidiram acabar com essas sociedades, então as guerras começaram.
Surgiu então a figura lendária de Sepé Tiaraju, um líder indígena bastante culto, pois falava português, espanhol e guarani, sabia ler e escrever e era uma espécie de prefeito da missão de São Miguel Arcanjo.
As batalhas continuavam, sempre com muitas baixas dos indígenas, dado ao fato de lutarem com arcos e flechas contra as armas de fogo dos europeus e seus exércitos treinados.
No dia 02 de fevereiro de 1756, na região onde hoje é o município de São Gabriel, Sepé Tiaraju foi perseguido por soldados inimigos, seu cavalo tombou e ele foi atacado, ferido e preso, após cinco dias de cárcere e torturas, Sepé foi morto, três dias depois, a última batalha aconteceu e mais de 1500 indígenas, inclusive muitos padres jesuítas, foram massacrados pelos exércitos de Portugal e Espanha e as Missões foram destruídas, restando até hoje apenas as ruínas das igrejas e monumentos.
Em 2018, por solicitação de um grupo de fiéis da arquidiocese de Bagé, no RS, o Vaticano autorizou o processo de santificação de Sepé Tiaraju, que, quando concluído, será o primeiro indígena brasileiro a tornar-se santo da Igreja Católica.
Sepé Tiaraju proferiu uma célebre frase que marcou sua história: "esta terra tem dono"!
Com a crença que a terra foi lhes dada por Deus e São Miguel, defendeu-a até a morte, tornando-se um símbolo de amor à sua terra e sua cultura, por certo, nós seguimos o legado de Sepé, pois assim como ele, nós gaúchos também temos orgulho da nossa história, das nossas tradições e amor pelo nosso Rio Grande do Sul.
Para o povo em geral, Sepé já é um santo, mas oficialmente ainda é necessária a decisão final do Vaticano, mas também é importante citar as duas leis que reconhecem Sepé como herói:
- A lei estadual n° 12.366, declara Sepé Tiaraju como "herói guarani missioneiro rio-grandense;
- A lei federal n° 12.032/09, declara Sepé como herói da Pátria brasileira.
Acredito que no caso de Sepé Tiaraju, nesta data dos 269 anos de sua morte, ele está devidamente reconhecido e homenageado pelo povo e pelos governos, mas seguimos aguardando pelo Vaticano.
O mais importante dessa história é que o povo gaúcho segue seu legado, de defesa e amor à sua terra!
Como dizia Sepé Tiaraju: "esta terra tem dono"!

Eduardo Fraga

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