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Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026

Nas Entrelinhas

Você acredita?

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Ana Maria W. Ribeiro
Por Ana Maria W. Ribeiro
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Acredito que toda pessoa e todos os objetos possuem uma energia própria que, às vezes, chamo de alma.

Quem lê esta coluna, soube que comprei um teclado, pois bem, eis que um dia resolvi colocar o dito em outro local para experimentar.

Resultado oficial: não funcionou, ou melhor, funcionava só uma parte.

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Penso que o lugar onde foi colocado pela primeira vez, talvez tenha bagunçado a energia do objeto que o sustentava, a saber, o piano que tenho há mais de quarenta anos.

O piano deve ter se deixado envolver por um ciúme doentio do teclado, tensionou demais as cordas e, em dado momento, uma delas não podendo mais se conter, com um estalido muito ruidoso, achou por bem romper-se, deixando um dó com um som estranho e desafinado.

Penso que isso pode acontecer com as pessoas também e acontece quando elas não podem controlar o incontrolável, não conseguem expressar suas emoções e sentimentos, não encontram palavras e atitudes claras para que aqueles que estão ao redor possam entender o que se passa dentro delas.

Então, as cordas de sua alma ficam tão retesadas que acabam por se romper e elas, as pessoas, passam a comportar-se de maneira diferente do que eram antes deixando os outros confusos, inseguros e sem saber o que fazer.

Agora, não sei o que faço.

Compro outro teclado para reencontrar o prazer da música nas teclas que nunca desafinam ou chamo o consertador de pianos para devolver a alma ao meu velho companheiro?

Será que está na hora de me desapegar e oferecer meu piano a um preço acessível para que ele possa reaver sua alma e voltar a ser dedilhado com entusiasmo e alegria?

Ou ele, o piano, deve ficar onde sempre esteve e iniciar uma carreira de simples objeto decorativo?

Difícil decidir…

Aceito sugestões.

Pode ser também que a corda tenha se rompido devido às intempéries, temperaturas altas em um dia, baixíssimas no outro, fazendo com que o material de que ela é feita sofresse com esta oscilação.

Na dúvida, vou permanecer com meu piano, mesmo correndo o risco de deixar as músicas menos belas e harmônicas.

Talvez, dentro de mim, algo também tenha se rompido e o piano só está avisando que é hora de trocar o tom, afinar o som, escolher novas melodias e recomeçar com a certeza de que a Vida é cheia de incertezas e impermanências.

Ana Maria W. Ribeiro

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Ana Maria W. Ribeiro

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