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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026

Nossa Terra e Nossa Gente

Pedro Vieira Goulart

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Lucas Bonebergr
Por Lucas Bonebergr
Pedro Vieira Goulart
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No mundo das artes, a música sempre foi uma das mais belas expressões humanas. Ao longo da nossa evolução como seres racionais, aqueles com maior talento desenvolveram suas capacidades vocais, rítmicas e instrumentais por meio do uso de diferentes instrumentos. Segundo estudos da área de Logopedia, Foniatria e Vocologia, a voz de Freddie Mercury, vocalista da banda inglesa Queen, é considerada uma das mais completas e estudadas cientificamente. Além de sua voz marcante, o músico também tocava piano em muitos de seus shows e apresentações. Em Barra do Ribeiro, temos um jovem músico, fã da banda Queen, que vem demonstrando cada vez mais talento na música e nas artes, superando grandes desafios por meio da arte.

Pedro Vieira Goulart, nascido no dia 28 de novembro de 2008, na cidade missioneira de São Luiz Gonzaga, é filho de Viviane Leite, cuja história contamos aqui em outubro de 2025, e de Aldair Goulart. No início da infância, viveu em Santo Antônio das Missões até os cinco anos de idade, quando veio para Barra do Ribeiro. Em nossa cidade, estudou até o 9º ano na Escola São José. Atualmente, cursa o Ensino Médio no Colégio Égalité, onde concluirá seus estudos em 2026. Foi nesse período que me tornei testemunha da história do nosso jovem músico.

O que podemos dizer é que Pedro não é apenas um grande exemplo de superação, mas também um grande exemplo de vida e transformação, tanto para si mesmo quanto para todos aqueles que têm a oportunidade de conviver com ele.

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No dia 2 de agosto de 2020, quando tinha apenas 11 anos, perdeu repentinamente a visão, literalmente de um dia para o outro. Nesse período inicial, ficou 15 dias internado. Alguns meses depois, descobriu que a perda da visão era consequência de uma doença autoimune, que resultou em uma neurite óptica autoimune. Aos 14 anos, chegou a enfrentar um processo de perda dos movimentos do corpo, situação que foi superada a tempo, a partir de tratamento.

A perda da visão fez com que ele precisasse reaprender a viver do zero, desde as atividades mais básicas do cotidiano até as mais complexas. Nesse processo, ingressou na União de Cegos do Rio Grande do Sul, onde conheceu o professor Leopoldino, mais conhecido como Léo. Com ele, aprendeu orientação e mobilidade, Braille e informática, além de participar de programas de rádio.

Aos 12 anos de idade, entrou para o mundo da música, que se tornou sua válvula de escape diante de todos os desafios. Inicialmente, começou a tocar violão e, posteriormente, passou a compor suas próprias músicas. Tendo como professor o exímio músico Pedro Rocha, aprendeu também a tocar ukulele, guitarra e outros instrumentos.

Em 2025, começou a lançar suas músicas no YouTube, em seu canal, @ThanderWolfbr. O nome misterioso faz referência às tempestades e ao lobo, um de seus animais favoritos. Em 2026, com a ajuda de seu amigo Pedro Júnior Carneiro Costa, levou suas músicas para o Spotify. No mesmo ano, passou a integrar a Banda Marcial Ribeirense, apresentando-se nos desfiles cívicos de nossa cidade e também em municípios vizinhos. Foi nesse ambiente que encontrou mais um grande incentivador para a música: Guilherme Sampaio.

Ainda no mundo da música, passou a estudar piano e canto no Multiespaço, com a professora Angela Beck. Foi durante a comemoração do aniversário de 15 anos da instituição que realizou sua primeira apresentação. Na ocasião, além de demonstrar seu talento musical, também apresentou suas habilidades nas artes cômicas. Entre seus planos para o futuro, pretende seguir carreira como artista.

No final de 2023, quando já atuava como professor no Colégio Égalité, fiquei sabendo que Pedro seria nosso aluno. A partir daí, a primeira coisa que pensei foi a mesma que sempre penso em relação a cada estudante: qual seria a melhor maneira de ensinar Pedro? A partir dessa reflexão, conheci o curso de atendimento a alunos com perda de visão, oferecido pelo Programa Incluir, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante o ano de 2024, frequentei as aulas presenciais, nas quais aprendi a utilizar diferentes ferramentas e recursos de acessibilidade.

Mas meu maior ensinamento veio do próprio Pedro. Normalmente, as políticas de acessibilidade são preparadas pensando nas pessoas que já nasceram sem a visão. Entretanto, muitas vezes, não são consideradas as pessoas que nasceram enxergando e perderam esse sentido ao longo da vida. Além de todas as adaptações que já são realizadas na sociedade, ainda precisamos aprender muito e reafirmar valores humanos, como a empatia, não apenas no caso de Pedro, mas em tantas outras situações que envolvem as diferentes experiências e necessidades humanas.

O que Pedro nos ensinou é que, embora tenha deixado de enxergar o mundo, aprendeu a sentir a vida. Hoje, desenha seus próprios passos como um super-herói da vida real. E, assim como o Homem-Aranha, seu maior poder e sua maior qualidade estão na capacidade de lutar todos os dias para conquistar uma vida cada vez mais humana.

Lucas Bonebergr

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