A História normalmente é escrita pela ótica dos interesses políticos, dos grandes feitos, dos partidos e dos nomes considerados heroicos e vitoriosos. Mas, com o passar do tempo, muitos historiadores passaram a dedicar suas obras ao ponto de vista das pessoas simples, que vivem seu cotidiano. A partir disso, podemos analisar não apenas a História, mas também como ela impacta a vida das pessoas, seja pela perspectiva do trabalhador braçal do dia a dia ou da dona de casa. Como eu sempre digo, todo mundo tem uma História para contar ou marcou a sua História.
Por falar em dona de casa, a História da vez é a de Roselane Didio Glaas, nascida no dia 2 de março de 1972, em Barra do Ribeiro. É filha de Henrique Didio e Ana Regina Baum Didio, minha tia e minha avó materna, respectivamente. Ana Regina, ou vó Ana, também teve sua História contada por aqui, quando falamos do seu papel social como benzedeira. Além de ter vivido toda a sua vida em nossa cidade, Roselane é mãe de Alan Baum Didio e Ana Maria Didio Glaas, e foi casada com Orli Glaas.
A vida de Roselane, ou, sendo mais intimista, da dinda "Bina", foi marcada por muita dedicação à família, aos filhos e, especialmente, à vida de Ana Maria, cuja História também contamos por aqui no dia 25 de junho do ano passado. Portadora de Síndrome de West, Ana Maria tinha uma expectativa de vida de, no máximo, 15 anos. Hoje, aos 26 anos, sua trajetória é também um testemunho dos avanços da medicina e, principalmente, da dedicação de uma mãe que nunca deixou de buscar as melhores condições de vida para sua filha.
A maternidade desperta um supor poder em muitas mulheres: o tempo parece mudar, a mente acelera, os sentidos giram em torno dos filhos e a vida ganha um novo sentido. Quando falamos de mães atípicas, essa realidade pode envolver desafios ainda maiores, como consultas médicas, tratamentos, preocupações constantes, adaptações na rotina e uma luta diária por inclusão e dignidade. No entanto, é importante lembrar que, por trás de toda essa dedicação, existem mulheres que também sentem cansaço, medo e insegurança, e que precisam de acolhimento, compreensão e apoio. Mais do que reconhecer sua força, precisamos compreender a importância de uma sociedade que compartilhe responsabilidades e ofereça condições para que essas mães e seus filhos tenham qualidade de vida.
É justamente ao refletir sobre o cuidado com o outro que também precisamos lembrar da importância de cuidar de nós mesmos. Em outubro, o movimento Outubro Rosa reforça a necessidade de conscientização sobre o câncer de mama e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Embora a conscientização seja cada vez maior, toda iniciativa, palavra escrita e forma de divulgação continuam sendo válidas. Acredito que a informação e o cuidado são caminhos fundamentais para preservar a saúde e a qualidade de vida, seja diante de questões físicas, psicológicas ou emocionais. Afinal, quem dedica tanto de si ao cuidado de outras pessoas também merece ser cuidado.
Foi na localidade do Douradilho que a tia Rose, como era chamada por lá, escolheu viver ao lado de Orli. Foi naquela comunidade que o casal construiu sua família, cultivou amizades e criou laços que ultrapassaram as paredes de sua própria casa. Roselane fez parte da vida de muitas pessoas daquela localidade, e é também ali que sua memória permanecerá viva, nos lugares por onde passou e nas pessoas com quem compartilhou sua trajetória.
A partida de alguém que amamos nunca é simples de compreender. Mesmo quando a vida deixa lembranças bonitas, a ausência traz consigo a saudade e a sensação de que ainda havia muito a ser vivido e compartilhado. Nesse momento, em nome da nossa família, tomo a liberdade de agradecer à família Ongaratto e ao Restaurante das Cucas por todo o carinho e dedicação à nossa família diante dessa partida tão abrupta. Estendo também esse agradecimento a toda a comunidade douradilhense e à comunidade da Capela Santa Teresinha, que esteve conosco nesta despedida e nos acolheu em um momento tão difícil.
Nós somos aquilo de bom que deixamos na Terra. Somos as lembranças que construímos, os gestos de carinho que oferecemos e as marcas que deixamos na vida das pessoas. O tempo passa, a presença física se vai, mas aquilo que foi vivido com amor permanece na memória e nos sentimentos de quem fica. E é assim que continuamos fazendo parte da História: não apenas pelo tempo que vivemos, mas por tudo de bom que deixamos pelo caminho.